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Faltou preparo , diz Beltrame sobre ação da polícia que teria baleado menino no Rio

RIO DE JANEIRO - O Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou como tragédia e disse que faltou preparo na ação policial que deixou o menino João Roberto de Amorim Soares, de 3 anos, baleado na cabeça na noite do domingo.

Redação |

Fabio Motta/AE
Pai de João chora ao receber notícia dos médicos
O chefe da seção de pediatria do Hospital Copa DOr, Arnaldo Prata, informou, nesta segunda-feira, que o menino tem menos de 5% de chances de sobreviver. O garoto está internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da unidade de saúde desde as 4h desta segunda. O estado de saúde dele é considerado extremamente grave.

Beltrame afirmou, em entrevista coletiva, que acredita que faltou preparo aos policiais, mas que o fato não pode ser comparado à política de segurança pública do Estado. "É um fato que demonstra uma falta de preparo na hora de agir, mas não há qualquer ligação sobre o que foi feito e o nosso dia a dia.

Para o secretário, faltou preparo "psicológico e operacional" na ação dos policiais e salientou que os policiais não têm direito de errar. "Policiais não tem o direito de errar. "emos que ter o discernimento suficiente sobre como agir", afirmou Beltrame.

Desabafo do pai

O pai da criança, o taxista Paulo Roberto Amaral, de 45 anos, fez um desabafo emocionado na porta do hospital, onde o filho segue internado. Eu sou taxista e estava trabalhando no domingo para juntar um dinheirinho para o aniversário dele, que ia fazer 4 anos no dia 29.

Eu estava com uma passageira, passando pela rua General Espírito Santo Cardoso (onde João foi baleado) quando ela notou que havia várias viaturas no local, mas eu nunca ia imaginar que iam executar a minha família, metralharam o carro com uma mulher e duas crianças dentro. Minha mulher ficou cheia de pedaços de estilhaços pelo corpo, afirmou.

"Não houve troca de tiros", segundo ele, sua mulher Alessandra voltava de uma festa infantil com os dois filhos do casal no carro. Além de João, estava no veículo o bebê Vinícius, de 8 meses, que nada sofreu. Quando estava na esquina de casa, a mãe viu que um carro passou em alta velocidade e que ele estava sendo perseguido pela polícia. Ela encostou o carro para os policiais passarem, mas eles a teriam confundido com os bandidos.

"Mesmo atingida (por estilhaços), ela saiu do carro e jogou a bolsa do bebê para mostrar que tinha crianças. Isso foi a 200 metros da delegacia (19º DP)", contou o pai, muito abalado. O projétil que atingiu o menino na cabeça está alojado na quarta vértebra cervical. "Destruíram o cérebro do meu filho."

Baleado na cabeça

João foi baleado na cabeça durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

Testemunhas informaram que os policiais perseguiam um veículo Tipo, da cor preta, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend. Além de João, a advogada Alessandra Amorim estava com um bebê de 9 meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna, mas passa bem.

De acordo com testemunhas, ela chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro, mas há informações de que foram disparados pelo menos 15 tiros contra o carro que ela dirigia. O automóvel foi periciado para recolher fragmentos dos projéteis e aferir se eles foram disparados pelos PMs ou pelos bandidos.

A Polícia Civil instaurou inquérito e pediu as imagens gravadas pelas câmeras de segurança de edifícios localizados na área onde a criança foi baleada. As armas dos policiais que estavam na perseguição foram apreendidas para perícia

Segundo testemunhas, o menino foi encaminhado pelos policiais da viatura ao Hospital do Andaraí, na zona norte, e depois transferido para o Copa DOr. A equipe médica da unidade realizou dois encefalogramas e uma ultrassonografia para apurar a gravidade do dano cerebral que a criança sofreu por causa do tiro. A 19ª DP (Tijuca) está investigando o caso.

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