O vice-presidente da República, José Alencar, de 77 anos, afirmou - em entrevista à revista Veja desta semana, que está preparado para a morte. Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio. Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida, afirmou.

Futura Press
Alencar em foto de arquivo
Alencar em foto de arquivo

Na semana passada, Alencar deu início a mais uma batalha contra o câncer. É o 11º tratamento ao qual ele se submete na tentativa de controlar o sarcoma, um câncer agressivo e recidivo, diagnosticado pela primeira vez em 2006. A abordagem de agora consiste em quatro sessões semanais de quimioterapia.

A químio foi decidida pelos médicos uma vez que o câncer de Alencar, com vários nódulos na região do abdômen, não respondeu a uma medicação ainda em fase experimental, em testes no hospital MD Anderson, centro de excelência em pesquisas oncológicas, nos Estados Unidos.

Durante entrevista à revista, concedida na sala 215 do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, enquanto passava pela primeira sessão de químio, Alencar chorou duas vezes - ao falar de seus pais e da humildade, a virtude que, segundo ele, a doença lhe ensinou.

Ao falar da doença, Alencar afirmou ter "consciência de que o quadro é, no mínimo, dificílimo - para não dizer impossível, sob o ponto de vista médico. Mas, como para Deus nada é impossível, estou entregue em Suas mãos". Sem perder o humor, Alencar disse que tem "apetite, inclusive ¿ só não como torresmo porque não me servem. O meu problema é o tumor".

Alencar destacou que soube há dois anos que a sua doença não teria cura. "Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos e logo me contaram. E não poderia ser diferente, pois sempre pedi para estar plenamente informado. A informação me tranquiliza. Ela me dá armas para lutar. Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente quando me refiro à doença em público ¿ ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem público com cargo eletivo não se pertence".

"Me sinto debilitado"

O vice-presidente, que há 12 anos luta contra o câncer, passou por 15 cirurgias. A última foi realizada no dia 24 de julho por causa de uma obstrução intestinal. Neste procedimento, os médicos fizeram uma colostomia, onde o conteúdo do intestino é expelido e coletado por uma bolsa externa.

"Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado para viver o momento mais prazeroso de uma partida: vibrar quando faço um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar", afirmou.

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