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Estávamos cavando, mas a casa dava choque

Numa das áreas mais castigadas pelo temporal que atinge Rio e região metropolitana desde segunda-feira, moradores levaram choque na tentativa desesperada de encontrar pessoas com vida. O policial reformado Mário Oliveira conseguiu, com outros colegas vizinhos da Rua São José, no bairro do Fonseca, em Niterói, retirar Bryan dos Santos dos escombros de uma das cinco casas que desabaram no local. Outras cinco pessoas não tiveram a mesma sorte.

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

"Estávamos cavando a casa deles, mas estava dando choque", afirmou Oliveira, ao referir-se aos vizinhos que morreram, três de uma mesma família: Lenilce, Carlos e Diego Abreu. A mãe era costureira, o pai, Carlos, era pintor e o filho, Diego, estudante. Outro jovem, visitante com idade estimada em 20 anos também morreu no local.

Em outra casa, Alciê dos Santos também foi vítima do desastre. O pai da vítima, Carlos dos Santos, perdeu a esposa há poucas semanas. Ela estava com dengue hemorrágica. "Quando chegamos perto do Alciê, ele já estava morto".

Mário Oliveira contou que ouviu um estrondo enquanto dormia, por volta das 3h desta terça-feira. A esposa, Marta Brum, assustada, acordou toda a família e retirou todos de casa, com medo de desabamento em sua própria residência. Foi quando perceberam a tragédia bem ao lado de casa, a poucos metros, e foram ajudar os vizinhos.

"Desceu uma faixa enorme de terra, que tinha muito lixoed esgoto. Os bombeiros explicaram pra gente que esse lixo e o esgoto contribuíram para causar o deslizamento", disse.

Deslizamentos de terra provocaram desabamentos por vários outros locais do mesmo bairro. Na mesma região da Rua São José, duas pessoas morreram na Travessa Iara.

No morro da Caixa D'agua, na subida da alameda São Boa Aventura, um deslizamento de terra interrompeu o trânsito de uma das avenidas mais movimentadas da cidade. "Arrancaram as árvores que mantinham aquele barranco intacto", contou Oliveira.

IML de Niterói lotado

Pelo menos 48 corpos foram encontrados em Niterói por causa do temporal até o início da noite desta terça-feira. A prefeitura decretou estado de emergência pela primeira vez na história da cidade.

Fonseca, Cubango, Ingá e Santa Bárbara estão entre os bairros mais afetados pelas chuvas. O IML da cidade não suportou a quantidade de vítimas e 11 corpos foram para o IML sede do estado Afrânio Peixoto, no Rio.

Segundo o diretor do IML sede do estado, Frank Perlini, o IML de Niterói tem capacidade para 30 corpos. "Até agora chegaram 11 corpos, mas outros devem vir para cá ao longo da noite", disse Perlini.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse, em entrevista coletiva, que a situação em Niterói é pior que a da capital.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, oito pessoas morerram nas ruas Beltrão e duas na Martins Torres, no Cubango, zona Norte da cidade.

Também houve desmoronamento nas ruas Noronha Torrezão e Desembargador Lima Castro, no Cubango; na Rodovia Amaral Peixoto na altura do bairro do Caramujo; e em vários pontos da região oceânica.

Na Estrada da Cachoeira, que liga o Largo da Batalha a São Francisco, uma queda de barreira impede o acesso dos motoristas a região oceânica. A Estrada da Garganta também foi interditada, pelo mesmo motivo.

Na Boa Viagem, árvores caíram e deslizamentos foram registrados na Rua Prof. Martins Romeu.

No Ingá, as ruas principais São Sebastião (Morro do Estado) e Rua Fagundes Varela e também foram afetadas, da mesma maneira que a Estrada Fróes que liga Icaraí a São Francisco. Na estrada Caetano Monteiro, em Pendotiba, deslizamento atrapalha a passagem na altura da Pestalozzi. Em Jurujuba, a queda de um poste em frente à fábrica de sardinha fechou o trânsito.

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