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Estado forma bandidos e policias e violentos , afirma diretor

RIO DE JANEIRO - ¿A gente faz filmes sobre assuntos que consideramos importantes, sobre uma realidade que precisa ser discutida¿, avisa o cineasta José Padilha, ao apresentar nesta terça-feira a sequência de ¿Tropa de Elite¿, cujo ambiente é mais uma vez o conflito entre policiais e bandidos do Rio de Janeiro.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Entre o primeiro e o segundo, dois anos se passaram, tempo para que o governo fluminense lançasse as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs. Com elas, tem aplacado a violência em sete favelas da cidade, abrangendo cerca de 160 mil pessoas, segundo cálculo do secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.

Divulgação

Equipe da continuação do sucesso "Tropa de Elite" durante a coletiva

Diretor de filmes que abordam temas polêmicos, como o documentário Ônibus 174 e Garapa, Padilha elogia as UPPs, mas afirma que não se pode falar num Rio mais seguro. Não se pode pensar numa conclusão homogênea. Há números diferentes em regiões diferentes, sublinha. Ipanema está mais segura, mas o mesmo não ocorre na Maré. Para ele, a estratégia da polícia pacificadora é uma atitude corajosa, mas a tarefa exige mais tempo, policiais e dinheiro.

O Rio tem uma realidade básica que não está mudando muito, afirma o diretor. Enquanto a cidade tiver policiais mal treinados e mal remunerados, enquanto entrar fuzil com facilidade, enquanto as leis antidrogas continuarem como são, enquanto presos forem maltratados em cadeias, enquanto o Alemão tiver apenas uma escola e 120 mil pessoas, enquanto essa realidade básica se mantiver, o Rio continuará sofrendo com a violência.

A culpa por essa violência é do Estado, diz Padilha. Ele sustenta a tese com os próprios filmes. Ônibus 174, lembra o cineasta, mostra que o Estado ajuda a formar bandidos violentos, ao tratar como trata os pequenos criminosos. Tropa de Elite, por outro lado, mostra que o Estado ajuda também a formar policiais violentos, quando os treina e remunera mal.

O primeiro Tropa foi considerado fascista por parte da crítica e apontado como um palco de celebração da violência. Padilha, no entanto, dispensa a polêmica. E admite que não policiou suas idéias ao conceber a continuação: Os policiais têm uma expressão que diz faz o seu que eu faço o meu. Não posso antecipar a reação da crítica nem a do público. Mas talvez a polêmica surja com a personagem da Tainá (Müller), que é jornalista.

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