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Entre verossimilhança e estética, fico com as duas , diz diretor de filme do Lula

SÃO PAULO ¿ O lançamento do milionário Lula, o Filho do Brasil é ambicioso, mas o fato da cinebiografia do presidente entrar em cartaz em ano eleitoral continua sendo um dos principais assuntos cada vez que a equipe encontra a imprensa. Em coletiva na tarde desta segunda-feira (30) em um hotel de São Paulo, o diretor Fábio Barreto voltou a minimizar a coincidência da estreia, marcada para 1º de janeiro de 2010.

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

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A atriz Glória Pires e o diretor Fábio Barreto durante entrevista coletiva em São Paulo

"O que posso dizer é que não tive a intenção de ter qualquer caráter político. É um produto cinematográfico, entretenimento, e só tem o objetivo de solidificar o nosso cinema, que é carente, massacrado pela televisão", garantiu Barreto. Ainda é difícil prever o julgamento que o público fará do filme, mas o diretor já tem uma opinião formada: "Acho que nas telas todo mundo vai esquecer disso".

"Lula, o Filho do Brasil" abrange os primeiros 35 anos da vida do presidente, desde seu nascimento em Caetés, no sertão pernambucano, passando pela viagem em pau-de-arara até Santos (SP), a mudança para São Bernardo do Campo, o início da carreira como torneiro mecânico e a ascensão a líder sindical. Mesmo assim, o roteiro, baseado no livro da jornalista Denise Paraná, não leva a realidade ao pé da letra: funde personagens e dramatiza situações em nome de uma história com melhor fluidez.

"Entre verossimilhança e estética, fico com as duas. Fizemos um estudo minucioso para ver o que cada cena exigia em termos de dramaticidade, a cor, o vestuário, e como retratar a aridez do Nordeste, a pobreza meio suja de Santos", contou o diretor. "Em alguns momentos, a linguagem da ficção beira o documental, até pela câmera na mão que se mistura com as imagens de arquivo. Mas a preocupação completa com a história real é assunto de um documentário."

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Rui Ricardo Diaz, o "Lula" dos cinemas

É unânime, no entanto, a relevância que se atribui à lição que o filme passa. O ator Rui Ricardo Diaz, que estreia no cinema revivendo Lula dos 18 aos 35 anos, disse considerar a trama uma história necessária. "É a parte que a gente não conhece, de um brasileiro que teima sempre, que não desiste." Glória Pires, intérprete de Dona Lindu, mãe de Lula, confessou que chegou a duvidar do mérito do projeto, mas depois se rendeu. "Houve um questionamento, não entendi porque fazer um filme sobre o início da vida do Lula, mas li e fiquei encantada com o roteiro."

Com orçamento de R$ 16 milhões, gigantesco para os padrões nacionais, o filme foi totalmente financiado sem apoio das leis governamentais de incentivo, como o veterano produtor Luiz Carlos Barreto, 81 anos, fez questão de ressaltar no final do encontro. Segundo ele, a maior parte veio de empresas do setor audiovisual, caso da Europa Filmes e Downtown Filmes, além da venda antecipada para redes de TV aberta e a cabo e, claro, dos patrocinadores, como a companhia EBX, do empresário Eike Batista.

Apesar de Luiz Carlos ser o idealizador do projeto, a produção de "Lula" coube a Paula Barreto, sua filha, que já acumula no currículo trabalhos como "O Caminho das Nuvens" e "O Homem que Desafiou o Diabo". Lembrando as palavras da mãe, Lucy, que sempre repete que "o tempo cinematográfico é diferente do tempo real", Paula lembrou que o filme começou a engatinhar em 2003, mas, justamente pela dificuldade em levantar os recursos, demorou muito para ser viabilizado.

"Janeiro é a época mais favorável para se lançar um longa, comercialmente falando", disse ela, explicando por que a estreia está marcada para o início de 2010. Carlos Eduardo Rodrigues, da Globo Filmes, reforçou esse pensamento, afirmando que as dez maiores bilheterias brasileiras da Retomada aconteceram em janeiro ou agosto. "Se fosse agosto, todo mundo ia ficar muito mais zangado", brincou Rodrigues.

A estratégia de lançamento é quase megalomaníaca: "Lula, o Filho do Brasil" chega aos cinemas com 500 cópias, número que ainda pode crescer para 600, recorde para uma produção brasileira. A nível de comparação, "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" estreou com 680 cópias. A ideia é que o filme chegue em locais onde o cinema nacional geralmente não é exibido, já que tem apelo para o Nordeste e cidades do interior. "É uma história de superação, persistência. Uma homenagem à teimosia do povo brasileiro", definiu Paula Barreto.

E não é só isso ¿ já está garantida a exibição na Argentina, em uma parceria com a Costa Films. A estreia no país vizinho está prevista para março e a expectativa é de que atraia entre 300 e 400 mil espectadores, número mais do que significativo para um filme brasileiro. Na sequência, o plano é continuar investindo no Conesul e no restante da América Latina.

Assista ao trailer do filme:

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