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Ele era o nosso Padre Cícero

A cerimônia, conduzida pelo padre substituto da paróquia São José, tem início às 6h30. Cerca de 40 pessoas acompanham a homilia num altar de paredes azuis e amarelas montado entre as fotos do papa Bento XVI e João Paulo II. Às 7h em ponto os ajudantes da igreja começam a fechar as portas, com semblantes sérios e indispostos a emitir qualquer comentário sobre o assunto que tem tomado as atenções na cidade.

Matheus Pichonelli, enviado a Arapiraca |

Matheus Pichonelli
Fieis participam de missa às 6h30 na paróquia onde rezava o monsenhor Luiz Marques, em Arapiraca

Fieis participam de missa na paróquia onde rezava o monsenhor

Deus vai providenciando tudo. Já está providenciando, viu?, diz, em tom desafiador, uma senhora de cabelos brancos. Seguida de uma amiga, que a acompanha na caminhada: Dá licença que já vou me chegando, diz, ao ser perguntada como está o clima hoje na paróquia onde durante mais de 20 anos o monsenhor Luiz Marques Barbosa ganhou a admiração dos fieis.

Rezo muito por ele, demais. Ainda gosto muito dele, diz uma senhora enquanto fecha os portões da igreja. O monsenhor foi preso no último domingo após pedido dos senadores da CPI da Pedofilia, mas ganhou liberdade condicional na terça-feira. Em audiência na comissão, ele admitiu ter praticado uma vez ato sexual com um ex-coroinha. A confissão foi feita após a exibição de um vídeo em que ele aparece mantendo relações com o jovem Fabiano Silva Ferreira. O ex-coroinha diz que sofria abusos desde os 14 anos. O monsenhor nega a acusação.

Olha, se não fosse essa história, ele seria lembrado aqui como padre Cícero, diz José Leandro da Silva, o Zezinho, mototaxista de 56 anos que já trabalhou como fotógrafo oficial da paróquia em época de batizados, casamentos e demais celebrações festivas. Todo mundo queria que ele batizasse os filhos. Era respeitado demais. A pregação dele não tinha igual. O que ele fez na vida pessoal problema dele, mas na profissão era dos melhores. Falava um bocado de línguas e não podia ver uma mulher com blusa menor na igreja que ele punha para fora. Todo mês vinha mulher buchuda aqui pedir ajuda pra criar a criança e ele dava o enxoval todinho, conta Zezinho, que trabalha na esquina da igreja. Para ele, o escândalo só veio à tona por causa de dinheiro.

Influente

Nascido em Anadia (AL), monsenhor Luiz trabalhou ainda em Maceió antes de se mudar para Arapiraca. Há cerca de 20 anos ele era pároco da igreja de São José, que ajudou a construir.

Foi o monsenhor, contam os moradores, quem pressionou as autoridades a levar asfalto para o bairro Alto do Cruzeiro, onde fica a igreja. Para se dar bem na cidade, todos os prefeitos tinham que contar com o apoio do monsenhor, diz Claudemir Alves dos Santos, de 49 anos.

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