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Contra as injustiças, só o silêncio, a paciência e o tempo , afirma Sarney

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fez nesta sexta-feira um balanço do primeiro semestre da Casa, marcando o encerramento dos trabalhos e início do recesso parlamentar. Ele disse que em nenhum momento titubeou em tomar as medidas cabíveis em resposta às denúncias de irregularidades que atingiram a instituição.

Carol Pires, repórter em Brasília |

AE
Sarney após fazer um balanço do semestre no Senado

Sarney após fazer um balanço do semestre no Senado

Pesa contra Sarney denúncias de que teria sido beneficiado pela edição dos chamados atos secretos, a responsabilidade sobre um suposto esquema de desvio de dinheiro de incentivo cultural da Petrobras pela Fundação José Sarney, entre outros.  Contra as injustiças, só o silêncio, a paciência e o tempo, declarou o presidente.

Sarney afirmou ainda que o jornal "O Estado de S. Paulo" iniciou uma campanha contra ele, seguida por outros órgãos da imprensa. Meu trabalho exige a sedimentação de uma profunda consciência moral de minhas responsabilidades, a obstinada decisão de não cometer erros e jamais aceitar qualquer arranhão nos procedimentos éticos que devem nortear minha conduta, disse o presidente. Séneca [filósofo romano] dizia que a injustiça somente pode ser combatida com três ações: o silêncio, a paciência e o tempo, reforçou.

Apoio do DEM

No discurso, o senador enumerou as providências que adotou, como a determinação de sindicância, auditoria e encaminhamento das investigações à Procuradoria-Geral da República.

Ele lamentou ter perdido o apoio do DEM - "um dos partidos que apoiou minha candidatura e que sem dúvida poderia contribuir muito, embora em todos os momentos nossos trabalhos tenham sido compartilhados com o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), companheiro leal e decisivo que tem dado uma grande contribuição a esta Casa". "Infelizmente disputas políticas se confundiram com a administração", afirmou.

"Ameaças não me amedrontam"

Sarney disse que nas três vezes que assumiu a presidência do Senado encontrou a Casa em crise e conseguiu reerguê-la. "Os desafios, a carga de trabalho, os insultos, as ameaças não me amedrontaram e não me amedrontam. Estamos construindo, tenho certeza, um novo Senado", afirmou.

Nunca fui candidato a Presidente do Senado por minha vontade, sempre fui por convocação. (...) A eleição, como todos sabem, não me acrescentava nada nem tinha eu desejo, nem tenho, de poder. Aceitei-a para servir, repito, ao Senado e ao País, concluiu.

Bons Pizzaiolos

 O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu que Sarney entregasse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o relatório com as medidas tomadas pela presidência do Senado ao longo do ano para rebater a acusação de que os senadores eram bons pizzaiolos.

Creio que alguém precisa dizer a Lula que ele não pode dizer assim sobre o Congresso. E creio que ninguém melhor do que o presidente do Congresso para fazê-lo, disse Cristóvam, que nesta quinta-feira apresentou um requerimento de censura à declaração do presidente Lula.  

Logo que estiver com ele (o presidente Lula), transmitirei as observações do senhor", garantiu Sarney ao senador pedestista.  

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