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Conspiração adia votação da CSS na Câmara

O jogo entre a seleção brasileira de futebol e a Argentina, o jantar para o príncipe herdeiro do Japão Naruhito e a pouca disposição política da base em votar adiaram mais uma vez a conclusão da proposta que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS) na Câmara. Sem segurança de votos na sessão de hoje à noite, os governistas impediram a votação porque temiam não conseguir aprovar o ponto do projeto, o último que falta ser votado, que institui a base de cálculo da CSS.

Agência Estado |

Sem esse artigo, não há como cobrar o tributo. Por volta das 20h30, os líderes da base constataram que a sessão estava esvaziada. Eles conseguiram reunir apenas 262 votos para derrubar uma proposta da oposição de recuperar o projeto do Senado que obriga a União a destinar anualmente 10% das receitas brutas para a Saúde. Na votação seguinte, eles iriam precisar de 257 votos para não perder a CSS.
"Era arriscado votar. Se, de repente, quatro ou cinco deputados tivessem um chilique, perderíamos. A escolha de não votar foi racional", afirmou o líder do PT, Maurício Rands (PE). Os líderes da base constataram que alguns deputados viajaram para Belo Horizonte para assistir o jogo da seleção brasileira contra a da Argentina, outros foram para o Itamaraty jantar com o príncipe Naruhito e ainda deputados deixaram a sessão. O próprio presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi cumprir o compromisso do cargo e seguiu para o jantar com o príncipe.
"Houve uma conspiração internacional de japoneses, argentinos e tucanos e, ainda, do Além, porque muitos deputados adoeceram e não puderam vir", brincou Rands, referindo-se ao príncipe herdeiro, ao jogo e ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que teria feito o convite aos parlamentares para assistirem à disputa no estádio mineiro.
Não há segurança de que o projeto seja votado na próxima semana, quando os deputados estarão envolvidos nas convenções para escolha dos candidatos a prefeito e, especialmente, os parlamentares do Nordeste estarão participando das festas juninas, uma tradição forte na região. Somado a isso, a pauta do plenário estará trancada por duas medidas provisórias. Na semana seguinte serão mais quatro MPs trancando a pauta.
"O governo fugiu", afirmou o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). "O governo quer melar a regulamentação da emenda 29", disse o líder do PSDB, José Aníbal (SP). Na votação de três pontos do projeto hoje, o governo conseguiu manter o texto do relator, deputado Pepe Vargas (PT-RS). Nas duas primeiras votações, com uma margem maior de votos do que o verificado no placar da votação da semana passada, quando a CSS foi aprovada com 259 votos, apenas dois a mais do que o mínimo. Nessas votações, o governo conseguiu entre 30 e 40 votos a mais do que precisava.

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