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Acho de mau gosto misturar uma doença com questões políticas , diz Dilma

SÃO PAULO ¿ A ministra da Casa Civil Dilma Rousseff disse, ao sair do Hospital Sírio-Libanês nesta quarta-feira, que acha ¿de muito mau gosto misturar uma doença, que hoje é curável, com questões políticas¿. A declaração foi dada como um ¿recado à oposição¿. Ela completou dizendo que ¿a população vai entender que não é adequada¿ essa atitude.

Danielle Ferreira, do Último Segundo |

Dilma recebeu alta no fim da manhã desta quarta-feira, após ser internada na madrugada de terça-feira, com dores nas pernas em consequência do tratamento que recebe contra um linfoma.

Ao sair do hospital, a ministra explicou que um corte brusco em suas doses de cortisona foi a razão encontrada pelos médicos para as dores sentidas. Não tem nada a ver com o ritmo de trabalho. Não deriva disto, ressaltou. Dilma completou que não teve enjoos ou outros sintomas.

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A ministra Dilma Rousseff na saída do hospital Sírio-Libanês em São Paulo

Ela explicou que não sabia desta reação ao corte repentino do remédio e que, a partir de agora, os médicos irão reduzir aos poucos as doses, até parar totalmente. A cortisona é administrada durante o tratamento de quimioterapia e em comprimidos.

Pela primeira vez desde o início do seu tratamento, Dilma assumiu que está usando uma peruca. Estou usando uma peruquinha básica, como vocês podem notar. Quando [o cabelo] estiver da altura mais ou menos dos masculinos, vou tirar porque é muito chato usar peruca", afirmou. 

Dilma disse que conversou com o presidente Lula na manhã de terça, quando ele tinha acabado de chegar à China, e agradeceu a quantidade de solidariedade que recebi ontem e hoje. "Fizemos um despacho básico", disse.

A ministra informou que ainda não sabe o horário que volta para Brasília ou se irá manter sua agenda do fim de semana. "Em princípio estamos pensando em suspender a agenda do fim de semana. Não sei como meu organismo pode reagir", explicou.

Questionada ainda sobre a campanha presidencial de 2010, Dilma afirmou, bem humorada: "Não falo nisso nem amarrada".

Lula

Preocupado com a ministra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedirá a Dilma  que diminua o ritmo de suas atividades para cuidar da saúde. A agenda menos sobrecarregada, porém, não significa licença.

Embora a internação de Dilma no Hospital Sírio Libanês tenha reforçado o cenário de incerteza que cerca sua candidatura ao Palácio do Planalto, em 2010, nem Lula nem o PT trabalham com um plano B. "Eu não discuto essa hipótese. Primeiro porque não tem terceiro mandato . Segundo, porque a Dilma está bem", afirmou Lula após uma visita à agência espacial chinesa.

Câncer no sistema linfático

No dia 25 de abril, a provável candidata do PT ao Planalto em 2010 informou a descoberta de um linfoma, câncer no sistema linfático, detectado na axila esquerda. O tumor de 2,5 centímetros estava em estágio inicial, segundo os médicos, e foi retirado em cirurgia de 45 minutos no Hospital Sírio-Libanês.

O tratamento de quimioterapia deverá durar quatro meses e será aplicado em sessões realizadas no hospital a cada três semanas. De acordo com a equipe médica, composta por Roberto Kalil Filho (cardiologista), Paulo Hoff (oncologista clínico), e Yana Augusta Sarkis Novis (hematologista), a ministra encontra-se, neste momento, sem "evidência da doença ativa" (não há mais nenhum tumor) e fará a quimioterapia por segurança. Yana enfatizou que, como a doença está no estágio inicial, há grande chance de cura.

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