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Achei que fosse uma brincadeira , diz testemunha do crime

Visivelmente abalado, João Pedro Correia da Costa, de 32 anos, amigo do filho de Glauco Villas Boas, Raoni, deixou a delegacia seccional de Osasco, por volta das 16h40, após mais de duas horas de depoimento. Na saída, desabafou: ¿Achei que era um trote do Carlos Eduardo, uma brincadeira. Só acreditei quando ele começou a matar¿.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |


Com voz embargada, Costa disse que perdeu o melhor amigo e um pai espiritual. Ele disse que escapou por pouco de ser morto, pois também foi alvo dos disparos. Pedi calma e o Carlos Eduardo atirou na minha direção. Sorte que eu estava a uns cinco metros de distância.

Segundo Costa, quando Raoni chegou ao local, e viu o pai ensanguentado se alterou. O que você está fazendo, perguntou o jovem, segundos antes de ser baleado. Foi tudo muito rápido, explica. Costa afirmou ainda que Carlos disparou outras três vezes antes de fugir. Parecia comemorar o fato.

Ele conta que se escondeu no banheiro para se proteger e, após ouvir os disparos, viu Carlos fugindo na companhia de Felipe Iasi.
 Se ele estivesse coagido, teria corrido como eu, enfatizou.

Pessoa normal

Costa afirmou que nunca desconfiou de Carlos Eduardo e que não sabe o que o teria motivado a cometer o crime. Ele parecia normal, tranquilo. Nos cultos, dávamos as mãos e ele não parecia uma pessoa alterada.

Assim que chegou à casa da família, porém, Costa disse acreditar que ele já estava com a intenção de matar. Foi premeditado. E ele parecia usar a arma muito bem.

Carlos Eduardo admite ter matado Glauco e filho; veja

Carlos Eduardo, que estava foragido desde sexta-feira, foi detido na noite de domingo, por volta das 23h30, em Foz do Iguaçu, no Paraná, quando tentava fugir do Brasil pela Ponte da Amizade, na fronteira com o Paraguai. 

Segundo a Polícia Federal (PF) de Foz do Iguaçu, Carlos Eduardo dirigia um Fiesta Preto roubado, com placa de São Paulo. Ao ser abordado para procedimentos de rotina, saiu do carro e atirou, baleando no braço um agente da PF, que não corre risco de morte.

Conforme a polícia, após atirar, Carlos Eduardo conseguiu fugir e ficou desaparecido por mais de uma hora. Depois, tentou novamente atravessar a fronteira. Houve troca de tiros e Nunes foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e resistência à prisão.

"Ele é muito falante e continua dizendo que é Jesus", disse Ocimar Moura, agente da PF. Com ele, a polícia encontrou uma pistola, uma semi-automática oxidada 7,65 mm, que, segundo o suspeito, foi a utilizada para matar o cartunista e o filho . Além da arma, ele portava pequena quantidade de maconha que disse ser para o seu próprio uso.

Carreira

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Glauco em foto de 1986
Nascido em 1957, em Jandaia do Sul, no Paraná, Glauco Villas-Boas publicou sua primeira tira em 1976 no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto. A carreira decolou após ser premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, também em 1976, e na 2ª Bienal de Humorismo y Gráfica de Cuba.

Glauco começou a publicar suas tiras no jornal "Folha de S.Paulo" de maneira esporádica em 1977 e, em 1984, os desenhos passaram a ser regulares. Ele desenvolveu os personagens Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

Como redator, fez parte do elenco de redatores da TV Pirata, da Rede Globo. Músico, também tocava em bandas de rock.

Em parceria com os cartunistas Angeli e Laerte, lançou os "Los Três Amigos", tira com histórias sarcásticas que também eram publicadas pela Folha. Em 2006, publicou o livro "Política Zero", com 60 charges sobre a crise no governo Lula.

*Com informações da Agência Estado

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