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A Fita Branca é o grande vencedor da festa do cinema europeu

BERLIM ¿ O impactante A Fita Branca, do alemão Michael Haneke, foi o grande vencedor da premiação da Academia do Cinema Europeu, realizada na cidade alemã de Bochum, levando o prêmio nas categorias de Melhor Filme do Ano, Melhor Diretor e Melhor Roteiro.

EFE |

Divulgação
Cena de

"A Fita Branca", grande vencedor da premiação da Academia do Cinema Europeu

A história do grupo de crianças condenadas a crescer no dogmatismo religioso de uma Europa à beira da Primeira Guerra Mundial e em uma Alemanha que, décadas depois, junto com eles, verá o crescimento do nazismo, cativou a academia europeia.

Nascido em Munique e radicado na Áustria, Haneke já havia recebido os prêmios de melhor filme europeu em 2005 por "Caché". Além disso, "A Fita Branca" também faturou a Palma de Ouro no último Festival de Cannes.

O filme do diretor alemão desbancou o grande favorito da premiação europeia, a produção francesa "Un prophète", de Jacques Audiard, que recebeu seis indicações e conquistou o prêmio de Melhor Ator com Tahar Rahim.

Kate Winslet foi escolhida como melhor atriz por seu trabalho em "O Leitor", enquanto o segundo filme com mais indicações, "Quem Quer Ser um Milionário?", com cinco, levou o prêmio de Melhor Filme na votação popular. "Abraços Partidos", de Pedro Almodóvar, ficou com o prêmio de Melhor Música, concedido a Alberto Iglesias.

Foi uma cerimônia sóbria, marcada pela ausência de muitos dos indicados, como a atriz espanhola Penélope Cruz e Almodóvar, e também de alguns premiados, como Winslet.

A atriz francesa Isabelle Huppert, que recebeu um prêmio pelo conjunto de sua carreira, assim como o diretor britânico Ken Loach, compensou a falta de alguns colegas de profissão com sua elegância.

Um dos convidados mais ilustres do evento, entretanto, não era do mundo do cinema. O ex-jogador de futebol francês Eric Cantona, ator acidental em "À Procura de Eric", entregou o prêmio a Loach, o diretor que se atreveu a disciplinar o ex-astro dos gramados europeus nas telas.

Loach agradeceu a Cantona pela ousadia de aceitar o desafio de participar de "À Procura de Eric" e aproveitou para lembrar dos cineastas que não podem fazer os filmes que desejam em seus países, citando o caso dos territórios palestinos.

A festa do cinema europeu foi celebrada em Bochum, cidade do interior da Alemanha, no Vale do Ruhr, destoando do perfil das edições anteriores da premiação - Berlim, Barcelona, Roma, Paris, Londres, Varsóvia e Copenhague.

"Não sei por que estranham tanto fazermos a festa aqui", disse à Agência Efe o diretor alemão Wim Wenders, presidente da fundação da Academia do Cinema Europeu.

"Daqui, como do resto da região, surgiram muitos talentos, a mineração leva a muita criatividade", brincou o cineasta, nascido em Düsseldorf e crescido em Oberhausen, no coração do Vale do Ruhr, em alusão a uma das principais atividades econômicas da área.

Assim, Wenders levou para casa a festa da Academia, criada em 1989 por ele e mais 40 outros representantes do cinema europeu como alternativa a Hollywood.

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