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A crise não é minha, é do Senado , diz Sarney

BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se defendeu nesta terça-feira das críticas que vem sofrendo devido às constantes crises da Casa. De acordo com ele, sua gestão não fez nada além de combater irregularidades no Legislativo. ¿A crise do Senado não é minha, é do Senado, dessa instituição que devemos preservar¿.

Severino Motta, repórter em Brasília |

O discurso de Sarney foi feito em plenário e se deu devido ao último escândalo descoberto durante sua administração, quando foram revelados atos administrativos secretos que serviram para uma série de contratações, inclusive de parentes do próprio Sarney, conforme reportagens publicadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Em seu discurso, Sarney disse que não existem tais atos secretos. Ele alegou que erros podem existir quando se publica num sistema eletrônico mais de 60 mil documentos por ano. Além disso, garantiu que vai identificar tais erros e punir os responsáveis.

Todos nós [senadores] somos responsáveis, pois aprovamos aqui os atos da Mesa. Nós todos devemos ver o que está errado e corrigir o que estiver errado, disse.

Agência Senado
Sarney discursa no plenário do Senado e se defende de acusações
Sarney ainda alegou que a publicação dos chamados atos secretos nos jornais só vieram à tona devido à transparência posta em prática durante sua gestão. Se não tivéssemos feito essa determinação [de publicar tudo] não existia [o escândalo]. Ficava tudo como está.

O presidente também destacou que todas as irregularidades apresentadas até agora são de gestões passadas. E que não seria 'justo' colocar na atual Mesa Diretora as mazelas do Senado. "Querer colocar nas costas de todos nós, e principalmente eu, que dirijo a Mesa, a responsabilidade do que pode ter acontecido, e não sei se aconteceu, é coisa que eu digo que é injusta. Nenhum desses atos que falam se referem a nossa gestão.

Sobre as contratações de seus parentes, Sarney alegou que nunca pediu para que Epitácio Cafeteria (PTB-MA) e Delcídio Amaral (PT-MS) contratassem ninguém, e que sua biografia não poderia ser manchada por tal fato.

Zoghbi e Maia

O presidente do Senado também mencionou o ex-diretor geral da Casa Agaciel Maia, que foi afastado da função. Ele disse que, logo em seguida às denúncias de que Maia tinha uma casa não declarada ao Imposto de Renda, ele pediu uma investigação no Tribunal de Contas. "Em seguida, com a repercussão da imprensa, disse que o melhor era Agaciel sair do Senado e aceitei sua demissão", afirmou.

Depois, Sarney comentou as notícias contra o ex-diretor de Recursos Humanos do Senado, João Carlos Zoghbi, que se envolveu em escândalos relativos a empréstimos consignados. "Antes que eu soubesse disso, a minha segunda providência foi determinar que os bancos só fizessem consignação a 1,5% e tinha banco cobrando 4,5%".

"Abri pela Polícia do Senado um inquérito, pois isso era crime, não era assunto administrativo. A polícia disse que não ia fazer nada e foi recomendado que agisse no rigor". O presidente disse que o inquérito terminou em um prazo rápido e indiciou Zoghbi.

E relação às horas extras dos servidores, Sarney disse que mandou cancelar as que foram recebidas nas férias e ordenou que elas fossem imediatamente cobradas dos funcionários, mas quase ninguém devolveu as suas respectivas horas.

Atos secretos

Sarney é suspeito de autorizar atos secretos na Mesa Diretora do Senado para uma série de contratações, inclusive de parentes, conforme reportagens publicadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Conforme a primeira de uma série de reportagens publicadas sobre o assunto, um levantamento feito por técnicos do Senado, a pedido da Primeira-Secretaria, detectou cerca de 300 decisões que não foram publicadas, muitas delas adotadas há mais de 10 anos. Os atos administrativos "secretos" foram usados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários. 

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