Quero governar Minas, diz Patrus Ananias; leia entrevista

Eu quero governar Minas Gerais, repetiu o ministro do Combate à Fome, Patrus Ananias, duas vezes, com ênfase, durante a entrevista ao iG na base aérea da Pampulha, sexta-feira à tarde. Patrus defendeu a realização de prévia para a escolha do candidato petista, embora considere que existam outros caminhos. Para ele, admitir a esta altura da disputa que pode abrir mão em favor do PMDB, em nome da aliança nacional em torno da ministra Dilma Rousseff, seria um sinal de fragilidade. Não penso em hipótese B ou C.

Ricardo Galhardo, enviado a Belo Horizonte |


iG
: O senhor vê alguma saída para o impasse sobre a escolha do candidato do PT para o governo de Minas Gerais?

Patrus Ananias : Claro que vejo. Estou trabalhando para construir essa saída. Como pré-candidato, tenho o maior empenho para uma solução negociada. Tenho plena convicção de que só vamos disputar efetivamente o governo de Minas com o PT unido e também buscando alianças com os partidos que integram a base do presidente Lula. Neste quadro o PMDB é fundamental. É um processo. Certamente saberemos colocar o interesse maior do Brasil, o interesse público, acima de projetos pessoais ou de grupos, por mais legítimos que eles sejam.

iG : O senhor acha que pode haver uma solução que não seja a realização de prévia?

Patrus Ananias : Acho. Tenho uma grande reverência ao presidente Lula e ao vice-presidente José Alencar. Tenho dito sempre que estarei onde eles estiverem, com a liderança que eles têm, pelo que eles representam. Mas a prévia é um caminho também. Sempre defendi isso. Se for fazer uma prévia limpa, democrática, com critérios, pode ser um grade momento de debate interno do PT, de emulação do nosso partido. Sempre defendi as prévias à luz da tradição do PT, um partido democrático. Fui prefeito de Belo Horizonte disputando uma prévia. No dia seguinte, os outros dois pré-candidatos estavam do meu lado. Por outro lado também não acho que a prévia seja o único caminho ou um caminho mágico.

iG : O processo de divisão do PT mineiro começou na eleição municipal de 2008 e se aprofundou no Processo de Eleições Diretas (PED) de novembro. O senhor não teme que levar a disputa até uma prévia possa causar um racha profundo no partido?

Patrus Ananias : Quero preservar uma tradição da política mineira no que ela tem de melhor. As ideias brigam, os projetos disputam democraticamente, as pessoas não. Temos respeitar as pessoas, mas também afirmar valores, princípios, convicções. Até considero que uma prévia bem feita, pactuada, transparente, usando os métodos mais modernos de apuração como a urna eletrônica, pode ser um caminho para resolver essas dificuldades e diferenças.

iG : Por que urna eletrônica?

Patrus Ananias : Porque é um instrumento moderno. O Brasil hoje é uma referência nisso. No meu tempo de menino toda eleição ficava com aquela pendência se tinha fraude ou não. De uns tempos para cá o Brasil virou uma referência no campo eleitoral.

iG : O PED de Minas Gerais teve muitas denúncias de fraudes.

Patrus Ananias : Eu sei disso pela imprensa. Participei do processo, votei, deixei clara minha posição, mas não acompanhei nesse nível.

iG : É possível que haja interferência da direção nacional?

Patrus Ananias: Não sou analista político. Sou um militante e como militante quero governar Minas Gerais. Sou pré-candidato ao governo de Minas. Dentro dos princípios éticos e democráticos estou mobilizando todos os recursos possíveis para viabilizar minha candidatura. Se isso vai acontecer, a história vai dizer. Neste momento estou trabalhando para que isso aconteça e não estou considerando hipótese B ou C. Não sou candidato por mim mesmo. Fui instado a concorrer por lideranças do PT, filiados, militantes de movimentos sociais. É uma candidatura que vem em nome de um projeto, não é para ocupar lugar. Nunca fiz isso na política.

iG : Existe um temor na direção nacional do PT e no Palácio do Planalto de que a disputa interna em Minas possa inviabilizar a aliança nacional com o PMDB e prejudicar a candidatura da ministra Dilma. O senhor considera a possibilidade de o presidente Lula arbitrar esta disputa:

Patrus Ananias : O presidente tem uma liderança inquestionável, sempre teve. Ele nunca me disse para não ser candidato. Da mesma forma, o vice-presidente José Alencar. Tenho plena consciência de que devemos estar atentos para o projeto nacional. O Brasil em primeiro lugar. Mas o projeto nacional não se dá no vazio. O Brasil existe com Minas Gerais e os demais estados da federação. É também uma relação de troca, uma estrada de mão dupla. Tenho total empenho na candidatura da ministra, faço parte da direção nacional do PT e do governo Lula. Tenho compromissos históricos com o PT. Jamais levaria o partido a uma situação de ruptura.

iG : O senhor aceitaria abrir mão da candidatura em favor da aliança nacional com o PMDB?

Patrus Ananias : Não trabalho com este cenário. Não é nem uma questão de sectarismo, mas neste momento, não. Sou pré-candidato e seria muito pouco consistente se trabalhasse com outros cenários. Eu quero governar Minas Gerais, me sinto preparado.

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