Quércia rechaça apoio do PMDB à candidata de Lula

A pouco mais de um ano das eleições gerais de 2010, o ex-governador Orestes Quércia, referência do PMDB em São Paulo, já tem se dedicado às costuras políticas para ampliar os palanques regionais do tucano José Serra, pré-candidato à Presidência da República. Em entrevista exclusiva à Agência Estado , o peemedebista manda um recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: Pela movimentação que já está ocorrendo, acho que iremos desmistificar essa ideia do presidente Lula de que ele já ganhou o PMDB.

Agência Estado |

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Quércia admite abertamente a manutenção do acordo firmado em 2008 que reelegeu o prefeito Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo e que prevê o apoio do PMDB paulista a José Serra em 2010. "Infelizmente, o PMDB é um partido dividido", reconheceu. "Apesar da divisão, nós entendemos que há a possibilidade de apoiar o Serra, então vamos disputar isso numa convenção", avisou.

O acordo, no entanto, não abrange o apoio à candidatura do atual governador de Minas Gerais, o Aécio Neves, que disputa a indicação do PSDB com Serra. "Acreditamos que a melhor alternativa para o País é o Serra".

Atualmente, o ex-governador representa uma das maiores resistências dentro da legenda à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. "O PMDB [nacional] tem compromisso de apoiar o governo Lula, mas não tem o compromisso de apoiar o candidato ou a candidata do presidente Lula", ressalta.

Sucessão paulista - Quércia confirma a intenção do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, de se filiar à legenda, mas descarta qualquer possibilidade de lançá-lo à sucessão de José Serra em São Paulo pelo PMDB. "Quando o Skaf conversou comigo, há um tempo, falou que poderia ser candidato pelo PSB e me consultou sobre a hipótese do PMDB. Então, eu disse a ele que isso seria impossível [para as eleições 2010] porque já temos um compromisso assumido, desde o ano passado, com o Kassab e o Serra. Com a candidatura a governador, nós já temos compromisso: apoiar o candidato do Serra", contou. Segundo o ex-governador, o PSDB deverá escolher entre os secretários estaduais Aloysio Nunes Ferreira e Geraldo Alckmin.

"Se tivéssemos no PMDB, por exemplo, a candidatura de Michel Temer para o governo do Estado, até poderíamos pensar [em incluir o nome de Skaf] em uma eventual composição. Mas, de repente, alguém que até agora queria ser candidato pelo PSB, resolve ser candidato pelo PMDB, não é assim...", afirmou. Com a definição pela candidatura de Serra e a escolha do candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes, Quércia deve ser indicado a uma das cadeiras no Senado, como prevê a aliança firmada no ano passado. "O importante é que estamos firmes no acordo com o DEM e o PSDB".

Crise no Senado - Para Quércia, os escândalos que atingiram o Senado e o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), poderão eventualmente atingir a legenda, mas quem levará o maior prejuízo será o presidente Lula. "Acho que também sobra para o PMDB, mas vai sobrar mais ainda para o Lula, mais do que para o PMDB. Essas coisas, no primeiro momento, parecem não atingir [a imagem do presidente], mas, nas eleições 2010, acho que o PT vai pagar por isso", analisou.

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