A queda no desmatamento na Amazônia Legal, anunciada na tarde desta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), agradou profissionais ligados a assuntos como sustentabilidade e ecologia. Foram 7 mil quilômetros quadrados desmatados no período de agosto de 2008 a julho deste ano, o http://www.obt.inpe.br/prodes/prodes_1988_2008.htm target=_blankmenor índice da série histórica do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes). Mas, para eles, o mercado é quem tem determinado o ritmo e as oscilações do desmatamento e falta governança do Estado sobre a Amazônia.


"É uma queda significativa, mas não é suficiente. Há um histórico de queda relativamente regular e consistente, mas com oscilações - que acompanham o mercado internacional e ações do governo. Diria que, de 2007 para cá, o governo tomou as atitudes certas para ter um enfoque mais completo, mas ainda faltam ações, avaliou o superintendente de conservação da WWF-Brasil, Cláudio Maretti.

Ele entende que ações como o Fundo Amazônia ¿ que teria o papel de investir em atividades positivas, de sustentabilidade ¿ deveria se tornar uma ação permanente. Para ele, essas ações têm acontecido em concorrência com o mercado e precisam ser mais estimuladas.

O coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace, Márcio Asprini, avalia os números anunciados nesta quinta-feira como surpreendentes, sem dúvida, mas acha que não devem ser atribuídos exclusivamente ao governo. Quando o governo credita [o resultado] exclusivamente a si, não está falando a verdade. O governo não tem governança sobre o desmatamento. A explicação para essa queda é crise mundial, que resulta em baixa na demanda das commodities e o aquecimento global, que cria uma pressão da sociedade. E isso é uma iniciativa de mercado, não de governo, afirmou.

iG


Já o pesquisador sênior do Instituto Imazon, Paulo Barreto, que também atribui à crise econômica parte do motivo para os bons resultados, entende que o aumento na fiscalização por parte do governo ajudou na queda do desmatamento. Para ele, o enfoque nos municípios que mais desmatavam é um dos elementos de maior impacto.

Ganho político

A divulgação dos números, que geralmente é feita no Ministério do Meio Ambiente, foi transformada, nesta quinta-feira, em um grande palanque para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à Presidência, comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também estavam presentes o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc; os governadores de Mato Grosso, Blairo Maggi, que sempre foi alvo de críticas de grupos ambientalistas; do Amazonas, Eduardo Braga; do Pará, Ana Júlia Carepa; e de Rondônia, Ivo Cassol; além dos ministros da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende; e de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Agência Estado
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O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à Presidência, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Se os números fossem ruins, a Dilma não estaria ali. O compromisso dela é de estar lá quando o número for bom, disse Márcio Asprini. Para ele, "Dilma não é ambientalista, muito menos quando está no governo. Você vê que a Marina [Silva] saiu do governo por causa disso.

Paulo Barreto entende que o governo tenta acumular ganho político com isso. É tradição de governo: boa notícia dá para o que está em cima, e má notícia, para o subalterno.

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