SÃO PAULO ¿ O Instituto Goethe aproveitou o mote do aniversário de duas décadas da queda do Muro de Berlim (9 de novembro de 1989) para retomar a realização de exposições em seu prédio, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com a mostra Destelado.

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Detalhe da instalação "Paisagem Sonora", de Pedro Palhares Fernandes

De caráter enxuto, a exposição reúne as obras de Alexandre Furtado, André Komatsu, Laerte Ramos e Pedro Palhares Fernandes. O mote foi "o olhar estrangeiro sobre o marco histórico" e, sendo assim, cada artista fez reverberar uma série de questões a partir do tema.

"Não temos um espaço expositivo e, por isso, quando convidamos os artistas, pedimos que eles escolhessem o que fazer, tendo como suporte a própria arquitetura do edifício", diz Simone Molitor, da equipe de programação cultural do Goethe e curadora de "Destelado".

Da entrada do instituto é possível ver a obra de Pedro Palhares Fernandes: ele obstruiu um dos marcos do pátio interno do prédio com cerca de 300 tubos de PVC cinza. "Na pesquisa de imagens do Muro, percebi que havia nele muitos furos, buracos e frestas", diz o artista, que realizou esse trabalho como continuidade de sua série "Paisagem Sonora".

O visitante é convidado a ouvir "os sons do espaço", mas a obra também ganha um caráter bélico, remetendo, na visada do interior do jardim, a canhões. Ainda no mesmo andar, no outro corredor do pátio, Alexandre Furtado exibe a instalação Exil.

Já no segundo andar, Komatsu criou numa das salas do instituto a obra Como se Comporta o Que se Consome, Como se Consome o Que se Comporta, um "objeto/instalação" feito com "pequenos códigos" - bicicleta, copo dágua, Giroflex, um televisor, caixas de arquivo, etc. - que, solidificado, toma quase todo o espaço. É um trabalho político - são exibidos no vídeo gravações que o artista realizou performances sobre as limitações das barreiras. "A obra fala de falências de bases", diz Komatsu. Ao lado de sua sala, Laerte Ramos exibe uma edição de seu Almanaque, desta vez, sobre o muro de Berlim.

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