SÃO PAULO (Reuters) - A Gerdau, maior produtora de aços longos das Américas, confirmou expectativas do mercado para uma forte queda no lucro do primeiro trimestre, afetada por tombo de cerca de 40 por cento nas vendas e por queda de preços. A empresa, que no primeiro trimestre do ano passado teve um lucro de 1,090 bilhão de reais, sofreu uma queda de 96,8 por cento no resultado líquido do mesmo período deste ano, que somou 35 milhões de reais.

Analistas já esperavam forte retração no resultado da companhia, mas o lucro líquido ficou abaixo da previsão média de analistas ouvidos pela Reuters, de lucro líquido de 108,22 milhões de reais.

Enquanto isso, o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) somou 599 milhões, recuo de 69,8 por cento na comparação com os três primeiros meses de 2008. A geração de caixa também ficou inferior à esperada pela média das estimativas dos analistas, de 875 milhões de reais.

A margem Ebitda recuou de 22,2 por cento para 8,6 por cento na mesma base de comparação.

A receita líquida da empresa de janeiro a março totalizou 6,968 bilhões de reais, queda de 22 por cento sobre o primeiro trimestre do ano passado.

As operações no Brasil, que são responsáveis por cerca de 34 por cento do faturamento do grupo, sofreram queda de 18,6 por cento na receita. As atividades na América do Norte, que geram outro terço da receita total, recuaram 31,7 por cento.

Apesar disso, a empresa começa a ver sinais de melhora no ambiente siderúrgico.

Um "ponto bastante positivo é o crescimento de 20,7 por cento observado na evolução das vendas do mês de dezembro de 2008 para o mês de março de 2009, o que evidencia sinais de recuperação. Apesar disso, houve baixa de 12,7 por cento no volume de vendas de aço no primeiro trimestre contra o período de outubro a dezembro do ano passado, para 3,061 milhões de toneladas.

Os sinais de recuperação observados pela Gerdau podem ser refletidos no aumento de 24,2 por cento na produção de laminados na América do Norte do final de 2008 para o fim do primeiro trimestre, para 1,09 milhão de toneladas.

Mas a produção doméstica de aço laminado seguiu deprimida, recuando 26,3 na mesma comparação, enquanto a de aços especiais despencou 41,5 por cento.

"As operações do Brasil e o segmento de aços especiais, que ainda apresentaram maiores níveis de produção no trimestre anterior, passaram a sentir a redução da demanda com mais intensidade no primeiro trimestre de 2009, diminuindo, assim, seus níveis de produção", informou a Gerdau no balanço.

(Por Alberto Alerigi Jr.; Edição de Cesar Bianconi)

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