Quando a voz do aluno tem vez Por Maria Rehder São Paulo, 06 (AE) - A Pedagogia Waldorf foi criada em 1919 na Alemanha por Rudolf Steiner e tem como essência o embasamento na concepção de desenvolvimento do ser humano. O que na prática se traduz no ensino teórico sempre acompanhado pelo prático, com grande enfoque nas atividades corporais, artísticas e artesanais, de acordo com a idade dos estudantes.

A informática só é inserida a partir dos 14 anos e no dia-a-dia os trabalhos manuais são valorizados. A presidente da Federação das Escolas Waldorf no Brasil, Maria Chantal Amarante, explica que nessa concepção predominam o exercício e o desenvolvimento de habilidades e não do mero acúmulo de informações. "Um mesmo assunto é abordado várias vezes durante o ciclo escolar, mas nunca da mesma maneira, sempre respeitando a capacidade de compreensão da criança", afirma a educadora.

Uma das características que diferenciam a Pedagogia Waldorf em relação a outros métodos de ensino, de acordo com Chantal, é o fato de não se exigir ou cultivar precocemente no aluno o pensar intelectual. "Nas escolas Waldorf almeja-se que todas as aulas sejam um preparo para a vida real. Procura-se desenvolver nos jovens as qualidades necessárias para que eles saibam lidar e principalmente florescer neste mundo de velozes mudanças, com criatividade, flexibilidade, responsabilidade e capacidade de questionamento", diz a representante dessa pedagogia.

Cabe aos pais avaliar se essa é a pedagogia que querem para seus filhos e que se adeqüa à sua realidade familiar.

Boxe:
MODELO MONTESSORI PRIORIZA LIBERDADE DOS ALUNOS EM SALA
Na pedagogia montessoriana o que vale é o poder de escolha do aluno. A escola tem o papel de oferecer um leque de atividades com um objetivo pedagógico específico, mas é a criança quem busca o que quer fazer. "Em uma mesma sala é possível ver crianças fazendo exercícios de potência avançados, enquanto outras realizam exercícios diferentes com os monitores. Respeitamos o ritmo de cada criança. Em cada sala temos no mínimo três educadores", afirma a diretora da Prima Escola Montessori de São Paulo, Edimara de Lima.

Não é difícil ver alunos de 6º ano fundamental agrupados com outros alunos de 9º ano. "Reunimos os alunos de acordo com suas habilidades e não necessariamente por idade", explica. Os pais que optarem por matricular seus filhos em uma escola montessoriana devem saber que os conteúdos básicos são oferecidos aos alunos, mas a proposta da escola vai além. "Também temos grupos avançados de estudos para aqueles que se destacam em determinadas atividades. Essa escolha é livre do aluno."

E quando o assunto é prova, a auto-avaliação é destacada, já que o professor avalia o aluno continuamente, mas desde a educação infantil as crianças aprendem a auto-avaliar o próprio desempenho. Para os pais que valorizam a nota da prova tradicional, talvez essa pedagogia não seja a melhor opção.

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