Quando a ansiedade precisa ser tratada

Quando a ansiedade precisa ser tratada Por Por Mateus José Abdalla Diniz (*) São Paulo, 24 (AE) - O transtorno de ansiedade é uma das entidades mais freqüentes na psiquiatria e na medicina em geral. A ansiedade é uma sensação experimentada por todas as pessoas, que pode ser difusa, desagradável, de uma apreensão vaga na qual o indivíduo se percebe nervoso ou assustado.

Agência Estado |

Além desta alteração psíquica, geralmente essa sensação vem acompanhada de alterações corporais como sudorese, tremores, aperto no peito, mal estar epigástrico (no estômago), taquicardia, diarréia, aumento da freqüência urinária, irritabilidade, tensão muscular, dificuldades de dormir, diminuição da concentração e até medo de morrer ou de enlouquecer, entre outros sintomas.

No entanto, a ansiedade também tem lado positivo. Certo nível dela pode dar um "empurrãozinho" para realizarmos nossas atividades e também pode ser útil ao alertar-nos para situações de ameaça. O problema é quando a ansiedade passa dos limites e começa a ter repercussões negativas no cotidiano. Esse é o momento de tratá-la.

Ficar ansioso antes de realizar uma prova, fazer uma entrevista para uma vaga de emprego ou chamar a pessoa em quem você é interessado para sair é perfeitamente normal. Porém, se a pessoa não consegue enfrentar situações do dia-a-dia, ela começa a ter sérios problemas e começa e a evitar situações que são sentidas como "possíveis ameaças".

O indivíduo deixa de freqüentar locais com multidões, de pegar metrô, tem medo de passar mal na rua e deixa de sair, não come em público, evita contatos com outras pessoas, etc. Todas essas situações prejudicam muito a rotina da pessoa, pois trazem sofrimento e diminuem a qualidade de vida. Ou seja, não é difícil encontrar pessoas que buscam refúgio nas drogas ou álcool para sentirem-se menos ansiosas e conseguirem enfrentar as situações. E a coexistência de depressão com sintomas de ansiedade é muito comum.

O tratamento é individualizado para cada caso. Pode ser feito com psicoterapia e/ou medicamentos. Na psicoterapia há diversos tipos de abordagem, onde o paciente irá reconhecer as situações em que fica mais ansioso, entendendo o porquê desse tipo de reação e adquirindo novos mecanismos para lidar com as situações que geram ansiedade. Já o tratamento medicamentoso é feito com antidepressivos, principalmente da classe dos inibidores da recaptação de serotonina. E o profissional indicado para melhor avaliação deste quadro é o psiquiatra.

É importante lembrar que várias outras doenças, que não sejam o Transtorno de Ansiedade, podem cursar com sintomas ansiosos. Por exemplo: doenças de tiróide, cardíacas, de supra-renais e até mesmo outras doenças psiquiátricas. Logo, essas causas devem ser investigadas para serem tratadas da melhor maneira.

(*) Mateus José Abdalla Diniz é graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás(UFG), fez residência em Psiquiatria Geral e em Psicogeriatria pela Universidade Federal de São Paulo(UNIFESP). É especialista em psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), supervisor dos alunos da graduação em medicina no Programa de Doenças Afetivas e Ansiedade - PRODAF - UNIFESP, além de psiquiatra voluntário do serviço de Primeiro Episódio Psicótico- PEP- UNIFESP, psiquiatra voluntário do Programa de Esquizofrenia - PROESQ- UNIFESP, e psiquiatra da equipe de retaguarda do Pronto Socorro do Hospital Israelita Albert Einstein.

(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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