Quando a alimentação dass pequenos se transforma em luta diária

Quando a alimentação dass pequenos se transforma em luta diária Por Eduardo Diório São Paulo, 30 (AE) - Pedro Dias, de 9 anos, é um aluno exemplar: costuma acordar cedo, não falta ao colégio e o seu boletim é recheado de notas azuis. No momento da diversão, o garoto adora jogar futebol com os amigos e andar de bicicleta, sem contar as outras atividades que completam sua agenda, como as aulas de inglês e piano.

Agência Estado |

Tanta disposição, no entanto, ele não demonstra na hora de se alimentar, já que fecha a boca para os alimentos saudáveis. Cada vez mais, crianças como Pedro impõem suas vontades durante a refeição, dificultando a vida dos pais.

Para começar a reverter essa situação, Raquel Caruso, psicopedagoga, psicomotricista e coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (Edac), explica que é preciso estabelecer uma rotina. "Isso significa estipular horários e adquirir hábitos, como café da manhã, almoço, jantar e lanches saudáveis nos intervalos de cada refeição principal."

Outra dica, segundo a profissional, é criar um cardápio semanal e deixá-lo ao alcance das crianças. "Coloque-o em uma lousa, cartaz ou geladeira. Para os menores, o ideal é recortar as figuras correspondentes à refeição do dia", sugere Raquel. Depois que o hábito alimentar saudável for adquirido, dá até para reservar um dia da semana para algo que não seja tão nutritivo. "Se a criança não consegue largar o mau hábito, o ideal é espaçar ainda mais o dia do ‘besteirol’ até ser retirado do cardápio."

Na casa da família Dias, a advogada Ana Maria, de 37 anos, não sabe mais o que fazer para que o seu filho Pedro coma algo saudável. "Já tentei de tudo, só que ele faz birra, chora e até já tentou me bater", lembra. Por lá, a refeição tem de ser negociada. "Parece que ele aprendeu a usar a comida como se fosse uma arma. Ele dá as cartas do que quer e nós acatamos os seus desejos", revela.

"Crianças são extremamente espertas e observadoras. Se elas descobrem que uma atitude pode chamar a atenção de seus pais, certamente a farão. Não por maldade, mas por instinto", avisa o pediatra Yechiel Moises Chencinsk, autor do livro "Homeopatia, mais simples do que parece" (Pólen Editorial).

Para ele, é importante que os pais percebam essa situação o quanto antes e não caiam na armadilha. "Uma vez nela, as crianças irão aproveitar para determinar o que elas querem ou não comer. E isso pode não ser saudável." A atitude de usar a comida como forma de chantagem, em algumas casos, não passa da porta de casa. Recentemente, Ana Maria visitou o filho de surpresa na escola e o encontrou comendo um ‘pratão’ de arroz e feijão. "Ele ficou sem graça e não sabia o que falar para mim. Eu fingi que nada de ‘anormal’ estava acontecendo", brinca. "Muitas escolas ensinam o valor nutricional da refeição e os alunos aprendem a necessidade de comer bem. Pena que na teoria é uma coisa e na prática normalmente é outra", diz o pediatra.

No lar da família Machado o problema é coletivo: além de os gêmeos Joaquim e João, de 7 anos, não se alimentarem direito, os pais Silvia e Marco Antônio, ambos de 38 anos, também não costumam ingerir alimentos saudáveis diariamente. "Sei que a culpa é minha de os meus filhos não comerem da forma correta e acho que, agora, não tem mais volta", conforma-se a mãe.

Segundo Lúcia Sandri, psicopedagoga e orientadora educacional do Instituto Integrado Sandri, espelhar-se nos pais é uma atitude relativa. "O ideal é que os pais sejam o exemplo, pois o resultado será bem melhor. No caso de algum dos membros da família ter intolerância ou repulsa a algum alimento, ainda assim pode ser organizado um programa sob a orientação de uma nutricionista."

A psicopedagoga explica que "cada ser humano tem um tipo de sangue e um biotipo específico e, portanto, sempre terá certas preferências". Por isso, amassar um legume ou escondê-lo no meio da comida nem sempre é uma alternativa viável. "Cada criança é um ser único. Após orientação do pediatra ou nutricionista, a mãe vai fazer o melhor possível para tornar prazerosa a hora da refeição. O ideal é mostrar, sim, tudo o que ela está comendo, pois o colorido do prato e as várias texturas também fazem parte do aprendizado", finaliza Lúcia.

Boxe: 11 DICAS PARA SEU FILHO COMER
A psicopedagoga, psicomotricista e coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico,
Raquel Caruso, preparou uma lista de dicas para ajudar os pais na hora da alimentação dos filhos

1. Mantenha a rotina quanto aos horários da alimentação;
2. Faça as refeições sempre juntos à mesa. Jamais alimente a criança diante da televisão;
3. Não esconda os alimentos e não obrigue o seu filho a comer o que não gosta. Entrem em acordo;4. Faça combinados e estipule um dia da semana para comer um alimento não tão saudável;
5. Evite ter esse tipo de alimento em casa;
6. Ofereça alimentos sólidos com freqüência;
7. Dê autonomia para que a criança realize sozinha sua alimentação. No inicio irá se sujar,
porém, é um aprendizado de suma importância;
8. Permita que a criança participe da elaboração das refeições, não só no processo de escolha,
mas também no preparo;
9. Peça ajuda da criança para a organização da mesa. Distribua as tarefas;
10. Leve o seu filho nas feiras e supermercados. Assim, ele terá a possibilidade de degustar
diversos alimentos (como frutas) em um local diferente e ajudar na escolha dos mesmos;
11. Sempre que possível e da maneira mais adequada para cada idade, explique os benefícios ou não contidos em cada alimento ingerido.

Boxe:
RECEITAS SAUDÁVEIS
HAMBÚRGUER COM ESPINAFRE

INGREDIENTES
250g de carne moída
1 colher de sopa de cebola ralada
1 colher de sopa de farinha de aveia
Espinafre picado
1 colher de chá de sal

PREPARO
Misture os ingredientes, monte em hambúrgueres e frite ou asse

HAMBÚRGUER COM CENOURA
INGREDIENTES
250g de carne moída
1 colher de sopa de cebola
1 colher de sopa de farinha de aveia
1 cenoura ralada
1 colher de chá de sal

PREPARO
Junte os ingredientes, monte em hambúrgueres e frite

SUCO DE LARANJA E MAÇÃ
INGREDIENTES
2 copos de suco de laranja
1 maçã
6 amêndoas sem casca

PREPARO
Bate os ingredientes no liquidificador

FONTE - Nutróloga Jane Corona, autora do livro "Saboreando Mudanças: O Poder Terapêutico dos Alimentos" (Editora Senac Rio)

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