Uma pesquisa inédita realizada por biólogos e médicos de São Paulo acaba de encontrar mais um culpado para a proliferação do mosquito transmissor da dengue. Análises em laboratório confirmaram que a água fornecida em alguns municípios apresenta uma substância química em excesso, o nitrogênio amoniacal. Isso permite ao inseto transmissor da doença procriar até oito vezes mais larvas do que em águas não contaminadas e sem o excesso dessa substância.

A informação pode ajudar cidades do País inteiro a modificar suas estratégias de prevenção da dengue. No final do ano passado, o Ministério da Saúde alertou que 112 cidades brasileiras estão com risco alto de infecção da doença, número 47% maior do que o identificado no início de 2009. Além das ações de controle normais ¿ como evitar água parada e criadores do mosquito da dengue ¿ o estudo feito em São Paulo também demonstra que a qualidade da água fornecida deve ser preocupação das autoridades de saúde.

Os especialistas lembram que o verão é a temporada preferida do mosquito, que encontra condições ideais para a proliferação: temperaturas quentes e chuva em excesso.

Há algum tempo percebemos que as ações de controle da dengue funcionavam na maior parte dos municípios de São Paulo, mas em outros não, afirma Gisela Rita Alvarenga Marques, pesquisadora da Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo (Sucen), órgão responsável pelo estudo.

Um deles é Potim, no Vale do Paraíba, que sempre aparece na lista de líder de casos de dengue. A água dessa cidade ¿ que é fornecida por um sistema municipal de abastecimento ¿ foi comparada com a de outra cidade, Taubaté.  Os resultados apontaram que, durante o período de um mês, foram depositados pelo mosquito 3,6 vezes mais ovos nos recipientes com água de Potim do que na de Taubaté (cada ovo pode ter mais de uma larva).

Na análise físico-química, a concentração de nitrogênio amoniacal da água de Potim ficou em 1,93 mg/L (o máximo permitido em portaria do Ministério da Saúde é 1,5 mg/L), enquanto a de Taubaté foi inferior a 0,03 mg/L.É preciso reforçar que a água com excesso de nitrogênio amoniacal não faz mal para quem bebe, mas contribui demais para a proliferação dos mosquitos, alerta Gisela. Isso acontece em poços de captação de águas muito profundo, instalados em áreas não adequadas.

Providências

A prefeitura de Potim informou que após o estudo da Sucen elaborou um projeto de lei para mudar a forma de abastecimento da água na cidade. A proposta é fazer licitação para terceirizar o processo. O novo modelo foi enviado à Câmara de Vereadores e espera aprovação, ainda sem data. Mas não é apenas a água com excesso de substância química o único fator responsável para a proliferação de dengue. Pesquisa feita pela FioCruz no início do ano passado mostrou que 70% dos criadouros do mosquito estão dentro de casa, a maior parte deles nos vasos de planta. Os infectologistas indicam algumas providências para evitar o contágio de dengue. Abaixo, as informações principais.

Prevenção contra a dengue

Tampar os grandes depósitos de água: a boa vedação de tampas em recipientes como caixas d'água, tanques, tinas, poços e fossas impedem que os mosquitos depositem seus ovos.

Remover o lixo: o acúmulo de lixo e de detritos em volta das casas pode servir como excelente meio de coleta de água de chuva. Portanto, é preciso evitar acúmulos e solicitar a remoção pelo serviço de limpeza pública.

Limpar os recipientes de água: não basta apenas trocar a água do vaso de planta ou usar um produto para esterilizar a água, como água sanitária. É preciso lavar as laterais e as bordas do recipiente com bucha, pois nesses locais os ovos eclodem e se transformam em larvas. Não esqueça de colocar areia nos vasos de plantas.

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