BELO HORIZONTE - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 11 pessoas que formavam uma quadrilha voltada para a produção irregular e o tráfico internacional de medicamentos em Minas Gerais. Segundo o MPF, o grupo criou a fórmula de um produto que anunciavam como fitoterápico, mas na realidade era composto por substâncias psicotrópicas causadoras de dependência física e psíquica.

No mercado internacional, principalmente na Venezuela e nos Estados Unidos, o medicamento era vendido com o nome de Emagrece Sim. No Brasil, o produto recebia o de Herbathin.

A denúncia, aceita pela Justiça Federal de Belo Horizonte, é o desfecho da Operação Vênus, desenvolvida em conjunto pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Superintendência de Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais em 19 de setembro do ano passado.

Naquela ocasião, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão temporária expedidos pelo juízo da 4ª Vara Federal de Belo Horizonte.

Foram denunciados a empresária mineira Claudina Rodrigues Bonfim, seis irmãos e uma sobrinha da empresária que também faziam parte da quadrilha, além de três pessoas, duas delas residentes em São Paulo e Roraima.

Eles são acusados dos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, falsidade ideológica em documentos públicos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e venda e distribuição de medicamento produzido irregularmente e sem qualquer autorização das autoridades responsáveis.

Liderados por Claudina, a quadrilha atuava na preparação e comercialização clandestina do "Emagrece Sim". O kit do medicamento, vendido a preços que variavam entre US$ 85 e US$ 300, era destinado somente à exportação.

Anunciado como um "composto 100% fitoterápico, despido de quaisquer substâncias químicas", a fórmula do medicamento continha, na verdade, as substâncias clordiazepóxido, femproporex e fluoxetina. É exatamente a presença dessas substâncias que caracterizou o tráfico de drogas, já que atuam como psicotrópicos poderosos, causando em quem os consome grave dependência física e psíquica.

No Brasil, a quadrilha teve o laboratório interditado pelos órgãos de fiscalização em janeiro daquele mesmo ano. Quando o laboratório sofreu interdição, os réus transferiram a produção para outro local, tomando o cuidado de evitar qualquer sinal externo de identificação do que ali se fazia.

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