O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), admitiu hoje a existência de um grupo criminoso atuando dentro da Casa, que fraudava pagamentos de auxílio-creche e vale-transporte. Se descobriu uma verdadeira quadrilha agindo aqui dentro da Casa, disse Temer, acrescentando que a Câmara já tomou providências.

Temer disse que a Polícia Legislativa já mandou mais de 15 inquéritos concluídos ao Ministério Público Federal sobre o "golpe da creche e do vale-transporte", que teriam causado até o momento um rombo de mais de R$ 3 milhões aos cofres públicos. "A direção-geral modificou procedimentos que poderiam dar ensejo a essas espécies de irregularidades. De modo que a Câmara estava agindo muito antes [das denúncias] e continua tomando providências", disse o deputado.

As investigações em andamento apontam para a participação de servidores da Casa em golpes que envolviam a contratação de funcionários fantasmas, distribuição de benefícios, acordos fraudulentos com escolas particulares e articulação de fraudes com vale-transporte.

Investigação

Uma denúncia publicada no site Congresso em Foco indicou que 48 servidores da Câmara alteraram seus endereços nos dados cadastrais imediatamente após a publicação de um alerta na intranet da Casa no qual era informado que, caso os servidores indicassem endereços falsos para obterem um valor maior de auxílio transporte no contracheque, isso se configuraria como prática de falsidade ideológica.

Segundo o site, essa prática gerava um custo de R$ 478 mil por ano ao Congresso. Um outro grupo cadastrava funcionários fantasmas em gabinetes para receber o auxílio-creche. O site estima que R$ 943 mil tenham sido desviados apenas com vale-transporte em 2009, por uma quadrilha especializada em fraudar a folha de pagamento da Câmara.

Com informações da Agência Brasil.

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