Putin e centenas de admiradores prestam homenagem ao escritor russo Solzhenitsin

Centenas de admiradores desfilaram nesta terça-feira, na Academia Russa de Ciências de Moscou, junto ao corpo de Alexander Solzhenitsin, o célebre escritor e dissidente russo que relatou os horrores dos campos de concentração soviéticos, mas cuja obra é vista com indiferença pelos jovens.

AFP |

Os fãs passaram ao lado do caixão aberto de Solzhenitsin, deixando flores.

Uma das últimas lendas literárias da Rússia, ele morreu aos 89 anos de idade, em sua casa, na noite de domingo.

Prêmio Nobel de Literatura de 1970, passou oito anos nos campos de concentração soviéticos de Josef Stalin (gulag).

Na quarta-feira, será enterrado durante uma cerimônia ortodoxa às 09H00 local (02H00 de Brasília) no Monastério Donskoy de Moscou, construído no século XVI.

O primeiro-ministro e ex-presidente russo, Vladimir Putin, se inclinou nesta terça-feira diante do corpo de Solzhenitsin, como mostrou ao vivo a televisão russa.

Segunda-feira, o chefe de governo declarou que a morte do escritor "foi uma grande perda para toda a Rússia". "Estamos orgulhosos pelo fato de ele ter sido nosso compatriota e contemporâneo", afirmou.

Putin, ex-oficial da KGB (o antigo serviço secreto) e presidente da Rússia de 2000 a 2008, ofereceu suas condolências à viúva de Solzhenitsin, Natalya, que estava junto ao caixão.

Entre os admiradores estava nesta terça-feira Serguei Aristarkhov, que levou um exemplar de "Um dia na vida de Ivan Denisovich", o relato de Solzhenitsin sobre a vida num campo de trabalhos forçados soviético, e um ramo de flores brancas.

Segunda-feira, o presidente russo Dimitri Medvedev iniciou a série de homenagens dos dirigentes mundiais com um telegrama de condolências enviado à sua família no qual elogiou "um dos maiores pensadores, escritores e humanistas do século XX".

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o último presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, também prestaram homenagem a Solzhenitsin, célebre por sua imponente obra titulada "Arquipélago Gulag", publicada pela primeira vez em Paris em 1973.

Os jornais russos manifestaram sua dor pelo falecimento do "gigante literário". "Um profeta morreu em sua pátria", escreveu o jornal popular Komsomolskaya Pravda. O diário do governo, Rossiiskaya Gazeta, comparou Solzhenitsin a Lev Tolstói.

Solzhenitsin sacudiu as bases do poder soviético com seus relatos preocupantes sobre os campos de trabalhos forçados. Em 1970 foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, mas não compareceu para recebê-lo por medo de não poder voltar a seu país. Em 1974, foi expulso da União Soviética e viveu 18 anos nos Estados Unidos.

Voltou à Rússia em 1994 depois de uma longa viagem de trem que o levou à cidade de Magadan, onde milhares de pessoas morreram em campos de concentração, e também a Moscou, entre outros lugares. Em cada escala de sua viagem, era recebido por multidões de admiradores.

Em junho de 2007, recebeu das mãos de Putin o Prêmio do Estado, o mais importante do país, por sua devoção à "sua pátria" em uma cerimônia de luxo no Kremlin.

ao-dt/lm

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