Putin comparece ao funeral do escritor russo Aleksandr Solzhenitsyn

Moscou, 5 ago (EFE).- O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, foi nesta terça-feira à Academia de Ciências para se despedir do escritor russo e prêmio Nobel de Literatura Aleksandr Solzhenitsyn, que morreu no último domingo.

EFE |

Putin, que classificou a dissolução da União Soviética (URSS) como "a maior catástrofe geopolítica do século XX", depositou um ramo de rosas vermelhas aos pés do caixão no qual estava o corpo de Solzhenitsyn e se aproximou da viúva, Natalia, para lhe expressar seus pêsames.

A viúva do autor de "Arquipélago Gulag", seus dois filhos e seus netos receberam durante várias horas as condolências de dezenas de representantes políticos e culturais russos.

O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, durante cujo mandato a cidadania soviética foi devolvida a Solzhenitsyn, também estava presente à Academia, assim como o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov.

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que está realizando um cruzeiro, deve interromper nesta quarta seu passeio pelo rio Volga para assistir ao enterro de Solzhenitsyn, no cemitério do histórico mosteiro Donskoi de Moscou.

A forte chuva que cai hoje sobre a capital russa não foi empecilho para que milhares de pessoas fizessem fila para homenagear o Prêmio Nobel de Literatura de 1970, considerado por muitos a "consciência da Rússia".

Os presentes ao funeral eram, em sua maioria, pessoas de idade avançada, mas também havia jovens e estudantes universitários.

"Li vários de seus livros. Me impactaram muito, por isto vim", declarou Olga, de 19 anos.

Entre as primeiras personalidades que se despediram de Solzhenitsyn e apresentaram suas condolências aos parentes estava o ex-primeiro-ministro russo Yevgueni Primakov.

O caixão foi instalado na sala de atos da Academia de Ciências, e na cabeceira foi colocado um enorme retrato em preto e branco do escritor, acompanhado de uma bandeira da Rússia.

O autor de "Arquipélago Gulag", "Pavilhão de cancerosos", "Um dia na vida de Ivan Denisovich", entre outras obras, morreu no domingo passado com 89 anos em conseqüência de insuficiência cardíaca.

"Solzhenitsyn foi para o século XX o que Dostoiévski e Tolstói foram para o XIX. Sua missão vital foi acabar com o comunismo", declarou à Agência Efe Viktor Zhivov, filólogo e amigo do escritor.

Ele acrescentou que foi um "milagre" Solzhenitsyn viver 89 anos, já que esteve a ponto de morrer em várias oportunidades: na Segunda Guerra Mundial, quando foi preso em um campo de trabalhos forçados e quando contraiu câncer nos anos 50.

"Mais que um escritor, era um ideólogo, um pensador e um ativista. Ainda me lembro da comoção que seus livros causaram quando os li de maneira clandestina", concluiu.

Os restos mortais do escritor serão transferidos esta noite para o mosteiro Donskoi de Moscou. O enterro começará após uma celebração religiosa, informa o Patriarcado russo.

O cemitério do mosteiro de Donskoi abriga os restos mortais de importantes personalidades russas e Solzhenitsyn terá sua sepultura ao lado do túmulo do famoso historiador russo Vasili Kliuchevski (1841-1911).

O próprio escritor escolheu o local há cinco anos, que foi abençoado pelo arcebispo de Moscou para sepultar o autor de "Arquipélago Gulag", um dos testemunhos mais contundentes sobre o sistema de campos de concentração stalinistas. EFE io/fh/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG