Punição exagerada a delegado da PF pode desestimular grandes operações, diz associação

SÃO PAULO - Uma punição exagerada ou excessiva ao delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, que conduziu a Operação Satiagraha, poderá desestimular os policiais federais a realizar investigações e a deflagrar grandes operações. A opinião é de Marcos Leôncio Souza Ribeiro, presidente da Comissão de Prerrogativa da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).

Agência Brasil |

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Vamos acompanhar o caso para verificar se não há desproporcionalidade entre eventuais erros cometidos pelo delegado Protógenes e sua punição. Caso isso ocorra, isso poderá ser um desestímulo para os demais delegados, que podem ficar temerosos no decorrer de grandes operações, disse ele.

Em entrevista nesta segunda-feira à Agência Brasil, Ribeiro disse que a associação não acredita que o delegado Protógenes Queiroz vá ser indiciado no inquérito policial, conduzido pelo delegado da Corregedoria Amaro, Vieira Ferreira, que investiga o vazamento de informações na Operação Satiagraha. A opinião da associação é de que isso não implicará num indiciamento dessa proporção, disse o delegado.

Uma reportagem do jornal O Globo veiculada nesta segunda afirma que Protógenes será indiciado ainda esta semana pelos crimes de quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, prevaricação, grampos e filmagens clandestinas.

O jornal também afirma que o delegado pode responder pelo uso de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sem conhecimento de seus superiores e de ter informado com antecedência a uma emissora de TV e a outros policiais os nomes das pessoas que seriam presas durante a Operação Satiagraha.

Os excessos e erros procedimentais que o delegado Protógenes Queiroz pode ter cometido devem e estão sendo investigados, mas são insignificantes ao tamanho da investigação que ele conduziu, afirmou. Ribeiro disse que a ADPF confia no trabalho do delegado Ferreira e acredita que não irá ocorrer uma punição desproporcional a Protógenes ao final do inquérito policial.

Segundo ele, a estratégia de defesa dos investigados na Operação Satiagraha levou a uma inversão de valores, que está sendo muito explorada pela imprensa. O crime foi esquecido e se deu dimensão exagerada a eventuais erros, de menor monta, afirmou. De acordo com ele, o objetivo da defesa, principalmente a do banqueiro Daniel Dantas, é o de afastar o delegado Protógenes Queiroz e o juiz Fausto De Sanctis das investigações, desacreditando o trabalho da Polícia Federal.

Houve um processo de desconstrução afirmando que a Polícia Federal está em crise. E essa desestabilização surgiu após a Operação Satiagraha, afirmou Ribeiro.

O delegado Protógenes Queiroz deixou a Operação Satiagraha no dia 15 de julho. Na época, a Polícia Federal alegou que o próprio delegado pediu o seu afastamento do caso para fazer um curso superior de polícia, em Brasília. Mas o delegado teria feito uma queixa formal à Procuradoria da República em São Paulo dizendo ter sido afastado das investigações.

O juiz Fausto De Sanctis também pode ser afastado do processo em que Dantas é acusado de corrupção. Um pedido de afastamento do juiz, feito pelo banqueiro, está sendo julgado por três desembargadores federais no Tribunal Regional da 3ª Região em São Paulo.

Se não afastarem o juiz, a tendência é vir uma sentença condenatória, acredita Ribeiro, sobre os investigados na Operação Satiagraha.

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