MARRAKECH ¿ O cineasta irlandês Terry George, diretor de Hotel Ruanda (2004) e que prepara um longa sobre o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, lamentou hoje que mesmo havendo conflitos suficientes para filmes como o que lhe rendeu três indicações ao Oscar, o público não está interessado.

"Tenho material suficiente, mas o problema é que, por enquanto, as pessoas não estão interessadas nesses conflitos", disse durante o Festival Internacional de Cinema de Marrakech, do qual participa para apoiar com sua presença a homenagem prestada esta noite à cinematografia britânica.

"Trata-se de encontrar um personagem para narrar a história", assegurou George, que prepara um longa-metragem sobre o diplomata brasileiro, morto no Iraque em 2003.

Segundo George, Vieira de Mello foi "uma figura carismática impressionante", que morreu juntamente com outras 21 pessoas no atentado que, em agosto de 2003, destruiu a sede da ONU em Bagdá, aonde tinha chegado meses, antes como enviado especial após a invasão.

"Acabei o roteiro e estou tentando arrecadar dinheiro para o projeto", conta o cineasta, que prevê orçamento de US$ 70 milhões e espera "utilizar esse filme para explicar o que essas pessoas da ONU fazem e o quão nobres elas são".

O roteirista de "Em nome do pai" (1993) disse que, "particularmente nos Estados Unidos, as pessoas não parecem querer enfrentar as conseqüências das guerras que acontecem atualmente, mas acho que são importantes e que posso encontrar a maneira de contar uma história que possa atrair o público".

"Ofereci 'Hotel Ruanda' a muitos estúdios e eles pensaram que eu estava louco por querer fazer um filme sobre o genocídio, mas não podemos continuar vendo filmes como 'Perdido pra Cachorro' toda a vida, também tem que haver filmes sérios", conclui o cineasta.

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