Publicação de latino-americanos é incipiente nos EUA, diz escritor cubano

BUENOS AIRES ¿ A publicação de autores latino-americanos em espanhol nos Estados Unidos ainda é incipiente, embora existam avanços, como a recente edição do escritor argentino Jorge Luis Borges, declarou hoje à ANSA o intelectual cubano Antonio Orlando Rodríguez, residente em Miami e ganhador do Prêmio Alfaguara de Novela 2008.

Agência Ansa |

Rodríguez recebeu a premiação, no valor de US$ 175 mil, por seu livro "Chiquita", que segundo o próprio autor é "uma biografia imaginária" de Espiridiona Cenda, uma artista cubana de cerca de 66 centímetros de altura que conheceu o sucesso nos palcos norte-americanos e europeus do século 19.

Nascido em 1956, o escritor abandonou Cuba em 1991. Em seguida, trabalhou como assessor do Programa Nacional de Leitura de Costa Rica e foi vice-diretor da Fundação Leitura da Colômbia, antes de radicar-se em Miami, onde atualmente se dedica à literatura e realiza colaborações para a imprensa.

"A publicação em castelhano de autores latinos nos Estados Unidos é ainda incipiente, de escassa incidência no mundo editorial norte-americano", afirmou Rodríguez, a respeito de um país onde o espanhol é o segundo idioma mais falado, depois do inglês.

Durante uma visita a Buenos Aires para divulgar "Chiquita", o escritor contou à ANSA que "se publicam muitos textos em castelhano, mas pouca literatura", já que a maioria dos livros possui um objetivo prático, como, por exemplo, "explicar a uma mulher como utilizar o cartão de crédito".

Contudo, o intelectual considerou "prometedor" que o selo Rayo, ligado à editora Harper Collins, tenha publicado recentemente o livro "Ficciones", de Borges. "Tres tristes tigres", do cubano Guillermo Cabrera Infante, em breve também deverá fazer parte da coleção.

"Chiquita"

Rodríguez afirmou ainda que não se considera um exilado político ¿ "nunca fui perseguido em Cuba, publiquei muito e recebi prêmios" ¿, mas admite que deixou a ilha "porque queria escrever sem censura, nem autocensura".

O autor conta que a história de "Chiquita" surgiu quando já estava radicado nos Estados Unidos, longe de Ciego de Avila, sua terra natal, e de Manzanas, onde a artista nasceu em 1869.

Rodríguez dedicou cinco anos em investigações e pesquisas sobre a vida da "boneca viva" e percorreu suas apresentações nos circos e teatros norte-americanos, elogiados na época por jornais como The New York Times e Daily Globe.

A novela de Rodríguez passa pela luta patriótica dos cubanos pela independência e por duas guerras mundiais, até a morte de Chiquita nos Estados Unidos, em 1945, às vésperas de completar 76 anos.

A "biografia imaginária" não marca a linha divisória entre os episódios históricos e a fantasia literária, porque, segundo o autor, seria "como se um mago explicasse seu truque".

"Em todo o caso, convido o leitor a caminhar por uma corda bamba, cujas pontas estão amarradas uma na realidade, outra na fantasia", conclui.

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