BRASÍLIA - No último mês de mandato presidencial frente à Câmara dos Deputados, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) deve se engajar na campanha de Michel Temer (PMDB-SP) para presidir a Câmara no próximo biênio. ¿A bancada do PT dará apoio maciço à Temer¿, afirmou o presidente.

Chinaglia disse ainda, durante um café da manhã com jornalistas realizado na manhã desta sexta-feira, que assim que o parlamento entrar em recesso, no próximo dia 22, ele deverá atuar como cabo eleitoral de Temer, que tem como concorrentes os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Michel Temer é candidato do PMDB ao posto mais alto do parlamento, e já ganhou o apoio de doze partidos, inclusive os de oposição. Juntos, estas legendas somam pouco mais de 400 deputados. Serão precisos 257 votos para eleger o novo presidente da Câmara. A eleição das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado está marcada para 1º de fevereiro.

Acordo

Em 2007, durante a eleição da presidência da Câmara, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini (SP) assinou um documento entregue ao PMDB garantindo apoio ao candidato peemedebista em 2009 em troca do endosso do partido à Chinaglia naquela época. A carta não atrela, porém, a disputa da Câmara à do Senado, onde o candidato petista, Tião Viana (SP) ficou sem o apoio do PMDB - que por sua vez lançou Garibaldi Alves (PMDB-RN), atual presidente da Casa, à reeleição.

Chinaglia confessa que os senadores não foram convidados a participar da assinatura do compromisso, mas pondera que os presidentes nacionais dos dois partidos ¿ PT e PMDB ¿ estavam no encontro, o que poderia ficar subentendido como um acordo. É por isso que o Temer [presidente do PMDB] defende o Tião. Ele sabe porque o defende, diz.

Futuro Político

Formado em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), Arlindo Chianglia é filiado ao PT desde 1980, partido pelo qual se elegeu pela primeira vez deputado estadual, em 1991. Presidente da Câmara dos Deputados desde 2007, ele se esquiva de dizer quais são suas pretensões políticas para o ano que vem, quando passará a cadeira para um sucessor.

Lamentavelmente, já estou com experiência suficiente para entender que a gente não escolhe o processo. Tendo sido presidente de um parlamento, a especulação é livre, tanto para promover quanto para queimar, diz o deputado, secretário do governo Marta Suplicy, em São Paulo, entre 2001 e 2002.

Confrontado com as notícias que ele poderia ser o candidato do PT ao governo de São Paulo em 2010, Chinaglia julga esta uma escolha muito difícil, uma vez que o Estado ¿ comandado pelo tucano José Serra no governo e pelo democrata Gilberto Kassab na prefeitura da capital - têm sido um problema nas campanhas petistas. Meu nome é cogitado sim, mas está longe de estar decidido, afirma.  

Outra especulação corrente na Esplanada dos Ministérios é de que o presidente da Câmara poderia assumir a Pasta da Saúde, em substituição a José Gomes Temporão (PMDB).

Despedida

A poucas semanas de deixar a presidência do parlamento, Chinaglia comemora como sua maior conquista frente à Câmara dos Deputados a aprovação da Lei Seca. Enviada ao Congresso Nacional em formato de Medida Provisória, ela previa apenas a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas rodovias federais, mas, por sugestão da Câmara, coibiu também o consumo de álcool pelos motoristas.

Para Chinaglia, não há contentamento maior do que saber da queda no número de mortes por acidentes automobilísticos após a sanção da Lei Seca. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) observam uma queda de 3,7% no número de mortes nas estradas federais em 2008 na comparação com o ano passado. O balanço, divulgado nesta quinta-feira, aponta ainda que no segundo semestre, quando entrou em vigor a Lei Seca, a redução foi de aproximadamente 6% em relação aos meses de junho a dezembro do ano passado.

Como maior erro cometido durante dos dois anos de gestão, Arlindo Chinaglia lamenta ter deixado muitos projetos pendentes de votação. Espero não ter cometido um grande erro. Mas tudo aquilo que está pronto para ir à votação e não foi votado, me incomoda muito, confessa.

Esta semana, o plenário da Câmara aprovou em primeiro turno a proposta de emenda à constituição (PEC) das MPs, que altera o trâmite das Medidas Provisórias. O projeto precisa ainda, entretanto, de um segundo turno de votação antes de seguir para o Senado e ser promulgada. Ainda ficaram pendentes de apreciação pela Câmara o projeto de Reforma Tributária e a PEC do trabalho escravo, este último em tramitação desde 1995.

Leia também:

Leia mais sobre: Câmara dos Deputados

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.