BRASÍLIA - A Executiva Nacional do PT vetou uma possível aliança do partido com o PSDB em Minas Gerais, nas eleições para prefeito de Belo Horizonte, ainda que em torno de um candidato do PSB. Ontem, por 13 votos a 2, o colegiado petista aprovou nota na qual condena o namoro com o tucanato mineiro. O significado do simbolismo de uma aliança PT/PSDB em Belo Horizonte extrapola a dimensão política de um simples acordo municipal. Por isso, contraria a posição definida pelo Diretório Nacional para a política de alianças , diz o documento.

Há algumas semanas, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o governador Aécio Neves (PSDB) articulam adesão conjunta dos dois partidos à candidatura de Márcio Lacerda (PSB). A Executiva Nacional lembrou de avaliação feita pelo diretório do partido em Minas recentemente sobre a administração tucana. E usou isso como argumento para vetar a aliança. Segundo a avaliação citada, o governo Aécio não se coaduna com o que o PT quer para Minas Gerais .

Essa aliança teria um simbolismo muito grande para a população brasileira. Mostraria que PT e PSDB são a mesma coisa, e não são , diz o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), membro da Executiva Nacional. Dentro do colegiado, apenas o mineiro Romênio Pereira e Jorge Coelho votaram favoravelmente à aliança. Pereira anunciou ontem que recorrerá da decisão ao Diretório Nacional.

Dentro da reunião, foi revelado o descontentamento com a postura do PSDB. Entrevista concedida pelo deputado Custódio Mattos (PSDB-MG), ontem, irritou particularmente a Executiva. O tucano disse que, se o PT demorasse a se definir, perderia a vaga de vice de Márcio Lacerda. Quem está comandando essa aliança é o Aécio e o PSDB e o Pimentel está indo de gaiato , disse um integrante da Executiva.

Em Belo Horizonte, Mattos, que é presidente estadual do PSDB, qualificou a decisão da Executiva Nacional do PT de politicamente estranha e sectária . Mas, salientou que o PSDB buscará avaliar esse novo quadro. A expectativa é de que sejam atraídos outros partidos para integrar a coligação, entre os quais o PMDB e o DEM: Agora que temos espaço na chapa podemos incorporar outros aliados .

A aliança foi defendida pelo deputado Virgílio Guimarães (MG). Em sua fala aos colegas, o parlamentar lembrou que Lacerda tem longa relação com a esquerda e sempre votou no presidente Lula. O veto a Belo Horizonte não significa que outras alianças com tucanos em cidades maiores estejam vetadas. Os aliados preferenciais são PSB, PCdoB e PDT, mas eventuais acertos com PSDB ou DEM devem ser previamente aprovados pela cúpula partidária.

Aécio foi surpreendido pela decisão petista, segundo relato do deputado e líder dos socialistas na Câmara, Júlio Delgado: O governador ficou surpreso e nós indignados, porque o PSB é da base do governo e essa decisão do PT mostra que eles colocam em dúvida a qualidade de gestão do PSB , afirmou Delgado.

Delgado vê duas formas de a decisão ser revertida: um recurso a ser encaminhado por Fernando Pimentel ao Diretório Nacional e a interferência do PSB. Amanhã, Delgado vai se encontrar com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e com o deputado federal Ciro Gomes. Vai pedir que ambos pressionem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a intervir no processo.

(Thiago Vitale Jayme, Paulo de Tarso Lyra e Danilo Jorge | Valor Econômico)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.