PT racha em BH e parte do partido vai apoiar candidata do PCdoB

Por Marcelo Portela BELO HORIZONTE (Reuters) - Dirigentes e militantes do PT em Minas Gerais se reuniram nesta sexta-feira com a deputada federal Jô Moraes (PCdoB) para declarar apoio à sua candidatura à prefeitura de Belo Horizonte, rachando o partido na capital mineira.

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Jô é adversária do socialista Márcio Lacerda (PSB), que tem o apoio oficial do PT e como vice o deputado estadual petista Roberto Carvalho. A candidatura de Lacerda foi articulada e apoiada pelo atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).

A direção nacional do PT vetou aliança com o PSDB em Belo Horizonte, mas o diretório municipal aprovou em convenção o apoio a Lacerda. Devido ao veto do PT, o PSDB ficou fora da chapa, mas Aécio Neves manteve o partido apoiando informalmente a candidatura de Lacerda, ex-secretário de seu governo.

A adesão de parte do PT foi comemorada pela candidata comunista, já que entre os militantes que lhe declararam apoio, vários participaram da fundação do partido e alguns são ligados aos ministros Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Patrus e Dulci se manifestaram contra o acordo com o PSDB nas eleições em Belo Horizonte, e, apesar de não declararem abertamente apoio a Jô Moraes, a comunista estava ao lado de Patrus durante evento promovido pela prefeitura no fim de junho.

'A Jô e o PCdoB têm identidade história com o PT em Belo Horizonte. Sempre foi nossa amiga e tivemos seu apoio desde que o Patrus foi prefeito', disse o ex-deputado e ex-delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Minas, Rogério Correia. 'Por isso viemos declarar nosso apoio à sua candidatura', acrescentou, em entrevista.

Segundo Correia, que era um dos pré-candidatos do PT à sucessão de Pimentel, os dirigentes e militantes que decidiram apoiar o PCdoB participarão de comícios e subirão nos palanques comunistas e não estarão presentes em nenhum ato da campanha da chapa Lacerda-Carvalho.

'O que houve foi uma aliança cínica com o PSDB. Não podem exigir que mudemos nosso lado histórico porque alguns dirigentes na cidade mudaram', afirmou Correia, referindo-se ao grupo de Pimentel.

Para o petista, a participação do partido em comícios ao lado de Aécio Neves, como ocorreu em evento na noite de quinta-feira, quando Pimentel e o governador estiveram juntos no lançamento oficial da campanha de Lacerda, é uma 'insubordinação'.

'O diretório vetou a aliança com os tucanos e não vamos subir em palanque do PSDB', afirmou, referindo-se à decisão da direção nacional petista de não permitir aliança com o PSDB na capital mineira.

Correia afirmou ainda que devido à participação de Pimentel e Aécio em atos de campanha de Lacerda enviou documento à direção nacional do PT pedindo punição para o prefeito. 'O tipo de punição quem vai decidir é a direção nacional', disse ele.

A assessoria de Pimentel afirmou que o prefeito não teme nenhum tipo de represália porque 'tudo foi feito em Belo Horizonte de acordo com a orientação do partido'.

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