PT quer criar CPI para investigar relação de secretário de Segurança com policiais que extorquiam PCC

SÃO PAULO - A Bancada do PT na Assembléia paulista anunciou, nesta segunda-feira, que pretende pedir a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias da relação entre o secretário-adjunto da Segurança Público do Estado de São Paulo, Lauro Malheiros Neto, e policiais acusados de praticar seqüestro e extorsão contra detentos integrantes do PCC.

Redação com Agência Estado |

Para o líder do PT na Assembléia, o deputado Roberto Felício, há fortes indícios de que o Secretário Adjunto se envolveu em fatos graves. "A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo não pode abdicar de seu poder fiscalizador diante de denúncias tão graves".

Segundo nota enviada pela bancado do PT na Assembléia, as inevstigações apontam que Malheiros teria recebido dinheiro repassado pela venda de uma carga roubada.

Augusto Pena, um dos policiais citados, está sendo investigado como suspeito de ser o autor de um furto no depósito do Deic em 2007, de uma carga de PlayStation, e da venda dos jogos para dois compradores. Segundo Regina Célia Lemes de Carvalho, ex-mulher de Pena, o investigador teria repassado R$ 100 mil do dinheiro obtido com a venda da carga à Lauro Malheiros Neto.

Suspeitos do crime, os policiais foram presos, mas acabaram reintegrados ao trabalho operacional em 11 de janeiro de 2007. Em depoimento ao Ministério Público Estadual, o delegado Nelson Silveira Guimarães, então integrante da cúpula da Polícia Civil, disse que a ordem a favor dos dois suspeitos foi dada por telefone pelo secretário-adjunto, que nega ter interferido no caso. Procurada pela reportagem, a SSP ainda não se pronunciou sobre uma possível CPI.

O caso

Investigações do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) do Ministério Público estadual apurou que, entre 2005 e 2006, os policiais civis Augusto Pena e José Roberto de Araújo, ambos investigadores de polícia, montaram escutas telefônicas para extorquir dinheiro dos líderes da organização criminosa.

Esses policiais teriam seqüestrado em 2005 Rodrigo Olivatto, enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção criminosa e o mantiveram em cativeiro na Delegacia de Polícia de Suzano, na Grande São Paulo, até o recebimento do resgate de R$ 300 mil.

Em abril daquele mesmo ano, segundo o Gaerco, o traficante Gilmar Hora Lisboa, o Pebinha pagou R$ 40 mil para facilitar a sua fuga. Mas os policiais teriam descumprido o acerto e em represália, a facção atacou a delegacia.

Leia mais sobre: PCC - policiais

    Leia tudo sobre: pcc

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG