PT propõe manter política externa de Lula se Dilma vencer em outubro

Eduardo Davis Brasília, 18 fev (EFE).- O PT inaugurou hoje seu 4º Congresso Nacional mantendo o compromisso de uma política externa voltada ao mundo em desenvolvimento para depois das eleições de outubro, caso o partido permaneça no poder com a saída do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EFE |

"Se um Governo (como o de Lula) fez tantas coisas boas, é preciso olhar para trás para definir o futuro", manifestou Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, que no próximo sábado será proclamada candidata presidencial do PT.

Em breves declarações à imprensa, Dilma não deixou dúvidas de sua total sintonia com Lula e assegurou que "a política externa do país tem de ser voltada à América Latina e também à África", mas sem descuidar das relações com os Estados Unidos ou com blocos como a União Europeia (UE).

Dilma, economista de 62 anos a quem Lula propôs como porta-bandeira do PT para as primeiras eleições nas quais ele não poderá se apresentar, assumiu pela primeira vez seu papel de "pré-candidata". Ela assegurou que, caso vença em outubro, garantirá a "continuidade".

Embora sua candidatura seja proclamada no próximo sábado pelo PT, ela deverá ser depois ratificada em uma convenção nacional que está prevista para fins de março próximo, quando a lei eleitoral a obrigará a renunciar ao cargo de ministra.

Dilma participou hoje de um debate sobre a política externa do Brasil ao qual foram convidados delegados de partidos políticos da Argentina, Bolívia, Equador e El Salvador, assim como sindicalistas dos Estados Unidos e representantes dos Governos da Venezuela, Cuba e China, entre outros países.

O debate foi fechado para a imprensa. No entanto, segundo fontes do PT consultadas pela Agência Efe, ele se centrou em uma análise das políticas de cooperação que Lula iniciou com países mais pobres desde 2003, quando assumiu seu primeiro mandato.

Em uma segunda sessão, as apresentações estiveram a cargo do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que se filiou ao PT em meados de ano passado, e de Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, que será o coordenador-geral da campanha de Dilma para as eleições de outubro.

Ambos "reafirmaram a necessidade de que a política externa do Brasil mantenha a linha baseada na cooperação e na solidariedade, sobretudo com a América Latina e com a África, para ajudar a reduzir as diferenças sociais que são comuns às duas regiões", disse à agência Efe o senador Eduardo Suplicy.

O 4º Congresso Nacional do PT, que encerrará no sábado com a proclamação da candidatura de Dilma, continuará amanhã com debates internos sobre a minuta do programa de Governo que o partido prepara para oferecer este ano ao eleitorado.

Segundo fontes do partido, o programa garantirá também a continuidade das políticas econômicas, sobretudo em relação à taxa de câmbio flutuante, o controle da inflação e à estrita disciplina fiscal, assim como proporá expandir os planos sociais que Lula executou desde 2003.

No entanto, alguns setores do PT, situados mais à esquerda, pressionam por uma linha econômica que delegue mais poder ao Estado e mantenha algumas políticas de redução impositiva adotadas pelo Governo nos últimos meses para atalhar a crise financeira global.

Membros do partido consultados pela Efe confirmaram que nem Lula nem Dilma respaldam essa tendência, salvo em áreas muito pontuais e que consideram "estratégicas", como as imensas riquezas petrolíferas descobertas nas águas brasileiras.

O programa de Governo a ser elaborado pelo PT não será definitivo, pois será consultado com os partidos da ampla coalizão que apoia o Governo Lula, que deseja manter unida sua base política em torno da candidatura de Dilma.

A ministra será a primeira mulher com possibilidades reais de chegar ao poder no Brasil e tudo indica que terá como principal rival o opositor José Serra, atual governador de São Paulo, que até agora lidera as pesquisas de intenções de votos por uma diferença de 15 a 20 pontos percentuais. EFE ed/sa

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