BRASÍLIA - O PT discute a volta formal do ex-ministro José Dirceu ao comando partidário. Já está acertado que ele ocupará uma vaga no Diretório Nacional e agora discute-se sua participação na Executiva Nacional.

AE
José Dirceu, participa da festa em comemoração aos 30 anos do PT no Pará

Dirceu participa da festa em comemoração aos 30 anos do PT no Pará

Se Dirceu voltar, a intenção dos petistas é formalizar também sua participação na direção da campanha da ministra Dilma Rousseff a presidente, função que o ex-ministro já exerce informalmente.

"Expertise"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra Dilma, segundo interlocutores de ambos, acham que Dirceu tem "expertise" e o que ele melhor sabe fazer é articulação política. Curiosamente, o próprio Dirceu é que não tem demonstrado muito entusiasmo com a ideia. De acordo com amigos de Dirceu, o ex-ministro tem se sentido melhor atuando livre das amarras partidárias - com cargo na Executiva, ele teria de prestar contas de suas atividades ao partido.

A pré-campanha de Dilma já conta com a participação formal de um antigo integrante do núcleo que controlava o governo no início do primeiro mandato de Lula, o deputado Antonio Palocci (SP), livre da denúncia de ter mandado quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Dirceu ainda responde a processo no Supremo sob a acusação de chefiar o "esquema do mensalão".

Exemplo recente da atuação de José Dirceu na campanha de Dilma é a viagem que ele fez no fim de semana a Belém, numa tentativa de salvar a aliança eleitoral PT-PMDB no Estado.

Uma semana antes, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, um dos integrantes da equipe da pré-campanha de Dilma, estivera com o mesmo objetivo em Belém. Sem resultado. Dirceu foi à cidade no sábado. Participou de uma festa pelos 30 anos do PT, mas também teve uma longa conversa com o deputado Jader Barbalho (PMDB), o verdadeiro objetivo da viagem, e tentou colocar alguma ordem na disputa interna dos petistas paraenses.

PT-PMDB

À frente nas pesquisas de opinião para o governo do Estado, Jader aceita fazer um acordo eleitoral com o PT, a exemplo do que fez em 2006, mas alega que a governadora Ana Júlia Carepa não é confiável no trato político. Jader ficou de se encontrar novamente com Dirceu ao longo desta semana para prosseguir as negociações que lhe permitam apoiar o PT e sair candidato ao Senado.

O PT do Pará é importante na convenção nacional do PMDB, que no sábado se reunirá para eleger a nova cúpula do partido. Mais pela influência que Jader manteve após a crise que o afastou da presidência do Senado, no início da década, do que por seus 43 votos na assembleia. Ainda assim é uma delegação forte, que está entre as dez maiores do partido - a primeira é a do Rio de Janeiro, com 80 votos, seguida de Minas Gerais (68).

A Dirceu é atribuído o endurecimento do PT, nos últimos dias, nas negociações com o PMDB e aliados. No caso do Pará, Lula, Dilma e o ex-ministro não teriam dificuldades para retirar a candidatura da governadora, assim como se empenharam para o PT não ter um candidato no Rio. O problema é que o partido decidiu que não abrirá mão dos candidatos que disputam a reeleição, caso de Ana Júlia.

O PT também esfriou as negociações para a composição da chapa de Dilma. Com a ministra em crescimento nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República, interessa à candidata adiar a escolha para negociar com mais força e verificar melhor as opções disponíveis no mercado eleitoral. Desde que a pré-candidatura Dilma passou a ser medida pelas pesquisas, com 3%, sua posição só se fortaleceu em relação aos aliados.

No Pará, o ex-ministro José Dirceu reafirmou o interesse na aliança eleitoral com o PMDB, mas disse também que o nome a ser escolhido terá de passar pelo crivo do presidente Lula, da candidata Dilma e do PT. Os pemedebistas querem que Dilma aceite o nome que vier a ser escolhido pelo partido. Atualmente, o nome do deputado Michel Temer (SP) é o que consegue unificar mais as diversas correntes da sigla.

"Questão Temer"

Temer será reconduzido ao cargo na convenção de sábado, nos termos de um acordo interno segundo o qual a primeira-vice-presidência será entregue a um senador. O nome mais provável é o do atual líder do governo, Romero Jucá (RR). Na hipótese de Temer ser o candidato a vice na chapa de Dilma, o líder governista assumiria seu lugar no comando da sigla. Jucá compõe com o grupo do Senado, no qual se destacam José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), mas em algumas situações preferiu ficar ao lado de Lula e não dos companheiros da bancada pemedebista.

A Executiva Nacional a ser eleita no sábado é essencialmente governista, mas a decisão sobre a aliança eleitoral com o PT será deixada pelo PMDB para junho. É uma forma de pressão sobre o PT. Além de Temer há outros nomes do PMDB que podem ocupar a vaga de vice, como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (por indicação de Sarney), o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung.

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