BRASÍLIA (Reuters) - Crucial à permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, a bancada do PT na Casa declarou nesta sexta-feira que há indícios concretos de envolvimento do senador no escândalo dos atos secretos. A liderança do partido pede que o Conselho de Ética --composto majoritariamente por aliados de Sarney-- apure denúncia da nomeação do namorado de uma neta de Sarney por meio de ato secreto.

"É grave essa nova denúncia porque há indícios concretos de associação do presidente do Senado", afirmou o líder da legenda, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), reiterando que o "melhor caminho seria o pedido de licença da presidência da instituição".

A situação do ex-presidente da República ficou ainda mais complicada nesta semana. O jornal o Estado de S.Paulo divulgou na quarta-feira trecho de uma conversa telefônica --alvo de inquérito na Polícia Federal-- em que Sarney negocia um cargo para Henrique Dias Bernardes, namorado de sua neta, Maria Beatriz, por meio de um ato administrativo mantido em sigilo.

O PT vem dando sustentação política ao aliado por intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defensor constante de Sarney. A bancada tem nas mãos o poder de provocar a renúncia do peemedebista do cargo.

Sem o partido, Sarney perde apoio numérico da maioria das legendas, ficando, portanto, sem legitimidade para continuar no comando do Congresso.

"Agosto será um mês muito ruim para Sarney", disse à Reuters o senador Renato Casagrande (PSB-ES), fazendo referência ao fim das férias parlamentares, no início do próximo mês.

"Ao contrário de nós, a crise não entrou em recesso", completou.

As gravações divulgadas pelo jornal motivaram a apresentação pelo líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), da quarta denúncia contra José Sarney no Conselho de Ética. Fora o PSOL, nenhum outro partido representou contra ele no órgão.

(Reportagem de Natuza Nery)

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