PT e PMDB gaúchos rumam a palanques diferentes em 2010

PORTO ALEGRE - O esforço do PT para formar palanques unificados com o PMDB em apoio à campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial deve fracassar no Rio Grande do Sul.

Reuters |

Os peemedebistas gaúchos preparam uma nova cruzada pela candidatura própria à Presidência da República e acreditam ter chance na disputa estadual, contrariando as pretensões dos petistas por apoio.

"Vamos lançar a candidatura própria à Presidência, mas alguns (peemedebistas) partem da tese de que teremos dificuldade em concretizá-la e já manifestam simpatias", disse à Reuters o senador Pedro Simon (PMDB-RS), presidente do PMDB gaúcho.

O ministro Nelson Jobim (Defesa) seria o nome indicado para a empreitada da disputa presidencial. Para Simon, é "muito provável" que se repita o cenário da eleição presidencial de 2006 em que a tese da candidatura própria foi derrotada, abrindo espaço para que as lideranças locais do partido ficassem divididas entre a adesão a Geraldo Alckmin (PSDB) ou ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na opinião do senador, a participação do partido nos quatro últimos governos federais (Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e Lula) provocou a "acomodação" dos dirigentes da legenda e a estratégia eleitoral teria como objetivo "manter-se no poder".

Para Simon, a decisão deve demorar e pode ficar ainda mais complicada frente às conseqüências do tratamento de saúde da ministra Dilma, considerada a preferida do presidente da República para a corrida sucessória.

"(O comando do PMDB) vai ficar, na maior cara de pau, analisando a popularidade do Lula e suas chances de transferir votos em relação os índices (de intenção de voto) do Serra", disse Simon.

O PMDB gaúcho também deve sofrer o assédio do PSDB, que, como em outros Estados, quer garantir o maior número de adesões à campanha presidencial do governador de São Paulo José Serra.

Disputa local

A hipótese de submeter o calendário e as alianças regionais a um acordo nacional também encontra resistência no PT gaúcho. Na última sexta-feira, no entanto, o diretório nacional do partido fechou questão em torno do tema, e decidiu condicionar as coligações estaduais ao projeto nacional de se manter na Presidência da República.

O partido já tem três pré-candidatos para disputar o governo do Estado --o ministro Tarso Genro (Justiça), o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, e o deputado estadual Adão Villaverde-- e quer definir o nome em julho.

O processo de definição da candidatura estadual foi criticado pela direção nacional do partido que considerou um erro antecipar o debate e fechar a porta para uma eventual aliança com o PMDB.

O puxão de orelhas gerou uma discussão pública que reviveu antigos atritos entre Tarso Genro, Ricardo Berzoini (presidente nacional do PT) e o ex-ministro José Dirceu que aproveitou para opinar sobre a polêmica.

"É um tema totalmente superado. Tivemos divergências em um primeiro momento. Agora, temos um consenso majoritário e o calendário estadual será mantido", disse Adão Villaverde.

Villaverde é considerado alinhado ao grupo de Berzoini. Ele justifica a posição dos dirigentes nacionais como uma preocupação em reeleger o sucessor de Lula, mas descarta a aliança com o PMDB local. Na sua opinião, os partidos farão a campanha presidencial para o mesmo candidato, mas em palanques diferentes.

"Aqui, esta idéia (aliança com PMDB) não transita", disse Villaverde.

O PMDB também não aposta seriamente nesta aliança e já trabalha as candidaturas do ex-governador Germano Rigotto ou do atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça.

Os dois partidos têm uma trajetória de enfrentamento e a participação do PMDB no governo de Yeda Crusius (PSDB-RS) deve ser o principal ponto de embate na campanha eleitoral.

O alvo tanto do PT quanto do PMDB é o PTB e o potencial eleitoral do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) cobiçado por ambos para ocupar o lugar de vice-governador.

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