Depois de uma rodada frustrada de negociações em Brasília no início desta semana, o PT e o PMDB de Minas Gerais cogitam a criação de uma comissão de parlamentares para arbitrar o impasse político sobre uma candidatura conjunta ao governo do Estado. A comissão seria formada por deputados dos dois partidos e do PR, do vice-presidente José Alencar. Eles fariam uma avaliação com base em critérios objetivos (pesquisas espontâneas, estimuladas, qualificadas, consulta a lideranças políticas etc.) e anunciariam publicamente o resultado. O nome com mais chances seria escolhido por aclamação.

Três nomes estão no páreo: os petistas Fernando Pimentel (ex-prefeito de Belo Horizonte) e Patrus Ananias (Ministro do Combate à Fome) e o peemedebista Helio Costa (Ministro das Comunicações), líder nas pesquisas.

A situação é mais complicada no PT, onde Patrus e Pimentel não abrem mão e a disputa pode ser decidida em uma prévia, o que desagrada tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto à direção nacional devido ao risco de racha do partido no segundo maior colégio eleitoral do País. "As prévias são um instrumento antigo, ultrapassado. Uma disputa interna não ajuda nem o Patrus nem o Pimentel", disse o vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho, aliado de Pimentel.

Além disso, há o temor de que uma ruptura com o PMDB em Minas Gerais inviabilize a coligação nacional em torno da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Esperamos a definição do PT", disse o presidente do PMDB-MG, Antonio Andrade.

Na direção nacional do PT, há quem defenda uma intervenção imediata do presidente Lula. Para evitar a intervenção, os petistas mineiros trabalham por uma solução caseira. "Já se cogitou algo semelhante como uma consulta aos prefeitos, vices, deputados e dirigentes do Estado. Não vingou. Pode ser que desta vez vingue, mas para mim esta proposta é novidade", disse o petista mineiro Nilmário Miranda, presidente da Fundação Perseu Abramo.

Segundo fontes petistas, Pimentel e Helio Costa já aderiram à proposta. Já Patrus continua insistindo nas prévias. "Muita gente que votou na turma do Pimentel no PED (Processo de Eleições Diretas, realizado em novembro com vitória do ex-prefeito em uma disputa que deixou cicatrizes) disse ao ministro que o apoiaria em uma prévia", afirmou Nilmário.

A solução ideal para o PT seria que Helio Costa se candidatasse a vice de Dilma e Pimentel assumisse um cargo na coordenação da campanha da ministra, deixando o caminho livre para a candidatura de Patrus. Mas poucos acreditam que isso seja provável. "Só falta combinar com os russos", brincou o vice-prefeito de Belo Horizonte.

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