PT de SP aposta no mesmo mote de Serra para eleição

Petistas e tucanos travam nessas eleições gerais a batalha pela preferência do voto do eleitorado. Mas, em termos de slogan, as duas legendas estão mais próximas do que nunca.

Agência Estado |

Depois do bordão "O Brasil pode mais" utilizado pelo presidenciável do PSDB, José Serra, no lançamento de sua pré-campanha, o PT paulista - que enfrenta a difícil missão de quebrar a hegemonia de 15 anos dos tucanos no Estado - também decidiu apostar nesse mote. Documento que reúne as diretrizes do partido para tentar eleger o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao Palácio dos Bandeirantes, obtido com exclusividade pela Agência Estado , prega que "Em São Paulo muito mais é possível".

Em comum, além dos slogans e de tentar tirar da outra legenda o comando político de São Paulo, no caso dos petistas, e do Brasil, no caso dos tucanos, petistas e tucanos enfrentarão nas duas esferas de poder governos bem avaliados. E, no caso de São Paulo, cristalizado no poder. Para o cientista político Fábio Wanderley, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), nos dois casos a linha seguida é a da "política do eu também", na qual "os que querem remover os titulares do poder não têm outro recurso senão aderir às políticas que estão sendo executadas e inventar um diferencial, neste caso a promessa de um avanço".

Na avaliação de Sidney Kuntz, especialista em pesquisa eleitoral e em marketing político, a semelhança no bordão mostra que os governos federal e paulista estão consolidados e são muito bem avaliados pela população em geral. Por isso, é preciso passar a ideia de que as ações positivas serão mantidas, mas os avanços ocorrerão. "Vender esperança ainda é a melhor forma de se conquistar um voto. Agora, os candidatos terão a missão de convencer o eleitor, de passar a mensagem de que realmente colocarão suas promessas em prática. Daí, não adianta ficar só no discurso, tem que convencer", destacou.

O cientista político da UFMG ressalta que em São Paulo há uma hegemonia do PSDB e um antagonismo ao PT "que certamente não deve se resolver apenas na base deste ou daquele slogan". E complementa: "No Brasil, com a popularidade do presidente Lula, a dificuldade do Serra é muito grande, apesar de ele estar na liderança nas pesquisas de intenção de voto e de ainda haver alguma dúvida na transferência de votos (do presidente) para a candidata Dilma (Rousseff)." Já Sidney Kuntz destaca que essa campanha será pautada pelas comparações das gestões anteriores e com a marca do "avanço", pois usualmente o eleitor não quer mexer em time que está dando certo.

Para o cientista político Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente, se o PT apostar, em São Paulo, no slogan semelhante ao do PSDB nacional, estará cometendo um erro. "Pelo PSDB o slogan é lógico, mas se o PT cair nessa será uma provocação, um apelo".

Documento

No documento das diretrizes de campanha de Aloizio Mercadante rumo ao governo paulista, é destacado que as metas de governo propostas pelo PT "estão pautadas por uma visão mais ampla de futuro e pelo convencimento de que está na hora de São Paulo trilhar um novo caminho". Por isso: "Em São Paulo Muito Mais é Possível". O texto avalia que repensar São Paulo, "no contexto da grande transformação pela qual passa o Brasil, supõe dar uma nova direção e uma nova dinâmica ao seu desenvolvimento: a força do crescimento precisa ser temperada pelo desejo de justiça, igualdade, democratização econômica, social e cultural".

Para os petistas, esse novo modelo de desenvolvimento também deve incorporar a sustentabilidade ambiental, aliando o progresso técnico, o crescimento econômico e a distribuição de renda. O documento cita ainda a descoberta do Pré-Sal como "um novo marco para sua economia". "Se investidos prioritariamente em educação, ciência e tecnologia e no combate à pobreza e às desigualdades sociais, e na preservação do meio ambiente os recursos do Pré-Sal podem representar, para o Brasil e para São Paulo, uma oportunidade histórica de dar um novo salto de qualidade."

Já sobre o maior cabo eleitoral da legenda, o presidente Lula, o documento diz: "Nossa inspiração é a grande transformação que está ocorrendo no Brasil com o governo Lula, nos últimos sete anos. O país voltou a crescer, mas obedecendo a uma lógica distinta daquela do passado: o crescimento, hoje, acontece com estabilidade, distribuição de renda, justiça social e fortalecimento da democracia."

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