O Partido dos Trabalhadores (PT) começa a colocar em prática uma ofensiva contra um dos principais nomes da oposição na disputa presidencial de 2010, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). O partido convocou para amanhã uma reunião com a imprensa para contestar os efeitos do PAC paulista, pacote de R$ 20,6 bilhões anunciado na semana passada pelo governador paulista com medidas de estímulo à economia local, desoneração de investimentos e manutenção de empregos.

Além de contestar o PAC de José Serra, o PT paulista pretende também trazer a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, virtual candidata da legenda à sucessão de Lula em 2010, para uma agenda no Estado.

A ideia do PT é fazer uma análise das medidas adotadas pelo governo Lula e as apresentadas pelo governador Serra para o enfrentamento da crise econômica, com foco para o fato de que as medidas tucanas representam apenas uma reedição de propostas já anunciadas pelo governo paulista. Segundo lideranças petistas, Dilma deve se reunir com militantes e visitar algumas obras tocadas por Serra que são bancadas também pelo governo federal, entre elas a ampliação do metrô paulistano.

Amanhã, em uma entrevista coletiva em um hotel da capital paulista, membros da cúpula do PT de São Paulo irão sustentar que a maioria das medidas do "PAC de Serra" já haviam sido anunciadas anteriormente e que o governador paulista foi omisso por divulgar o pacote quase seis meses depois do início da crise mundial de liquidez. A posição já havia sido adiantada pelo ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu, que, em seu blog, no dia 12, fez críticas sobre a demora para que o tucano tomasse medidas ante a crise.

"Nossa avaliação é que o PAC que ele (Serra) anunciou é positivo e foi melhor que ficar com a postura que era a da completa omissão", disse à Agência Estado o presidente estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva. "Mas o problema é que a maioria das propostas ele está reanunciando", completou.

As críticas dos petistas atingirão ainda a Agência de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, criada para concentrar as principais ações de fomento do "PAC paulista". Segundo Silva, "a expectativa era que a Agência pudesse cumprir um papel de enfrentamento à crise, mas, pela apresentação das medidas, ela terá um papel muito secundário e com 70% dos recursos contingenciados".

Compromisso 'mais arrojado'

O PT vai criticar ainda a falta de medidas para a área social entre as ações propostas pelo governador paulista, principalmente na construção civil. O partido vai sugerir que a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) amplie investimentos, já que o setor da construção civil é um grande gerador de empregos. Os ataques chegarão até mesmo à Sabesp, responsável pelo abastecimento e saneamento em vários municípios paulistas. "Da Sabesp ele (Serra) tirou R$ 500 milhões em dividendos no ano passado, uma empresa que tem boa parte dos novos investimentos por meio de recursos do PAC federal", afirmou o presidente do PT em São Paulo.

Silva afirmou, ainda, que o PT fará também propostas para o governador paulista e irá cobrar um compromisso "mais arrojado" de apoio de Serra ao governo federal no enfrentamento da crise. "Vamos apresentar propostas na área social, pois não adianta dar incentivo se não tem contrapartida do emprego", disse. "Queremos a formação das câmaras setoriais entre governo empresários e trabalhadores que possam ser um instrumento para negociar medidas como, por exemplo, a manutenção e geração de empregos."

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