PSol estuda nova representação contra Sarney

O senador José Nery (PSol-PA) pediu à assessoria jurídica do partido que analise a necessidade de apresentar uma nova representação contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ao Conselho de Ética. A nova representação provocaria o colegiado a investigar a revelação feita hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo, que mostra a participação de Sarney na edição de atos secretos na Casa.

Agência Estado |

Diálogos gravados pela Polícia Federal (PF) com autorização judicial mostram conversas entre o presidente do Senado, seu filho Fernando Sarney e Agaciel Maia. Nos diálogos é negociada uma vaga para o namorado da neta do peemedebista no Senado, que acabou contratado via ato secreto. Na avaliação de Nery, a reportagem deixa mais do que clara a ligação de José Sarney e Agaciel Maia. "O caso foi em 2008, quando ele já era senador, o que confirma a quebra de decoro parlamentar", diz o senador.

José Nery também deve recorrer ao Conselho de Ética, na volta do recesso parlamentar, contra a permanência de Paulo Duque (PMDB-RJ) na presidência do colegiado. Após ser eleito presidente da comissão, Duque disse que o PSol era "um partido pequeno que ainda não existe". "Duque perdeu as condições políticas de conduzir o processo ao se manifestar antecipadamente quanto ao mérito da denúncia e ao dizer que o PSol não existe", afirmou. "Tanto existe que apresentamos uma representação contra aqueles que há tanto tempo atropelam a moralidade pública", afirmou.

Denúncias

O PSol já protocolou no Conselho de Ética uma representação responsabilizando Sarney pela edição dos atos secretos no Senado, que foram usados durante os últimos 14 anos para, entre outras medidas, nomear parentes de senadores e aumentar benefícios de servidores sem conhecimento público. Também pesam contra Sarney no Conselho de Ética três denúncias apresentadas pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), responsabilizando o presidente do Senado pela edição dos atos secretos e por suposta participação no esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural da Petrobras pela Fundação José Sarney.

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