PSOL entra com mais uma ação contra Sarney

BRASÍLIA (Reuters) - O PSOL ingressou nesta quarta-feira com nova representação no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por quebra de decoro parlamentar. É a segunda protocolada pelo partido contra o senador. Na terça-feira, o PSDB também apresentou três ações, o que aumentou a pressão pela saída de Sarney do comando da instituição. Há ainda quatro denúncias apresentadas individualmente pelo líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).

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"É evidente que hoje não são indícios relevantes de crime contra a administração pública. Existem fatos que mostram claramente tráfico de influência, intermediação de interesses privados e exploração de prestígio", disse a jornalistas a presidente do PSOL, ex-senadora Heloísa Helena (AL).

Desta vez, o PSOL quer uma investigação sobre desvios de recursos da Fundação Sarney e sobre a falta de registro na Justiça Eleitoral de uma casa em Brasília de propriedade do senador. Na anterior, o partido questionou os atos secretos, medidas administrativas tomadas pela direção do Senado sem conhecimento público.

Segundo o senador José Nery (PSOL-PA), Sarney faltou com a verdade no plenário da Casa ao dizer que não tem responsabilidade pela fundação que leva seu nome.

"É uma declaração que não corresponde à verdade, porque ele é presidente vitalício da Fundação José Sarney", afirmou.

Os integrantes do PSOL criticaram as ameaças feitas pelos aliados de Sarney de que o PMDB, partido do senador, também pode pedir a cassação de adversários do presidente do Senado. Um dos alvos dos peemedebistas deve ser o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), contra quem também pesam denúncias.

ABRAÇO DOS AFOGADOS

Para Nery, o Conselho de Ética deveria priorizar as apurações sobre as supostas irregularidades cometidas por Sarney.

"Quando se dispersa muito as representações, às vezes se faz o chamado popularmente 'abraço dos afogados', onde, ao representar vários, os vários se juntam e não fazem absolutamente nada", disse a presidente da legenda ao comentar a possibilidade de um acordo ser feito para arquivar as investigações caso ocorra uma guerra de representações.

Nery afirmou ainda que o PSOL estuda uma estratégia para questionar a permanência do presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), no cargo.

Aliado incondicional de Sarney e do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), Duque já se manifestou contrário à primeira representação protocolada pelo PSOL e questionou a representatividade do pequeno partido de oposição.

"Vamos interpelar o senador Paulo Duque no Supremo Tribunal Federal. Ele perdeu a legitimidade. Vamos querer a suspeição dele para conduzir nossas representações", comentou Nery.

(Reportagem de Fernando Exman)

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