PSol apresenta denúncia contra Sarney e Renan Calheiros ao Conselho de Ética

BRASÍLIA - O PSol protocolou, nesta terça-feira, uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e outra contra o ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL). As peças pedem apuração no caso dos atos secretos, uma vez que Sarney teve pelo menos 15 parentes ou afilhados políticos beneficiados por decisões não publicadas no Boletim de Pessoal da Casa.

Severino Motta, repórter em Brasília |

"Diante de tais fatos, o representado [Sarney] nada fez até o momento restringindo-se a discursar sobre o problema afirmando ser uma questão institucional. Não anulou os atos, não tomou medidas saneadoras, deixando de preservar o Senado Federal, bem como a integridade pública", diz a representação contra Sarney.

O PSol entrou com representação contra Renan sob o argumento de que diversos atos secretos foram editados durante sua presidência. Apesar do ex-presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN) também ter estado à frente do Senado durante o período das decisões não publicadas, o partido entende que - pelo curto espaço de tempo que chefiou o Senado - ele não teria responsabilidade no caso.

A presidente do PSol, Heloísa Helena, disse ainda que os atos da gestão Garibaldi não têm a mesma relevância dos de Sarney e Renan. Eles são os dois mais suspeitos e os atos dos dois iam além de contratações, mexiam também com contratos da Casa, disse.

Agência Senado
Senadores do PSol protocolam representações contra Sarney e Renan
Processo de cassação

Heloísa Helena protocolou as representações junto com a bancada do partido no Congresso. Ela pediu que o Conselho de Ética aceite as representações e instaure processo de cassação de mandato contra os dois peemedebistas.

O PSol fez o que a população queria. Protocolamos a representação, espero que o processo seja aberto para que se saiba quem são as excelências delinquentes e a quadrilha de servidores, disse a presidente, afirmando que no caso de novas evidências surgirem novas representações vão ser feitas contra outros senadores.

Conselho de Ética

Para que o processo seja aberto é preciso que a maioria dos 15 integrantes do Conselho aceitem a representação. Caso isso aconteça, os membros também vão ter de votar a necessidade do presidente Sarney deixar o cargo durante o período da investigação.

Apesar do protocolo, nenhuma decisão do Conselho de Ética deve ser tomada nesta semana, uma vez que o mesmo está desde o dia seis de março sem funcionar, pois o PMDB ainda não indicou membros para suas quatro vagas no colegiado.

Após a indicação e conferencia de documentos, o Conselho vai precisar se reunir para eleger seu presidente e vai estar apto para iniciar a tramitação das duas representações.

Denúncia

Na segunda-feira, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ingressou com uma denúncia contra Sarney. Ele questionou o fato do peemedebista ter um neto que operou no negócio de crédito consignado para servidores e 18 parentes ou apadrinhados políticos que foram nomeados para o Senado ou que trabalham fora mas recebem pelo Congresso.

Sarney enviou carta a todos os senadores rebatendo a denúncia de que teria beneficiado a empresa de seu neto. No texto Sarney pede um pouco de atenção a seus pares para repor a verdade dos fatos .

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