Psicóloga usa neurolinguística para superar medo de avião

O coração bate mais forte na fila do check-in, as mãos suam frio ao afivelar os cintos e a contagem regressiva para a morte começa com a aceleração para a decolagem. Pode parecer exagerado, mas os sintomas são orgânicos.

Agência Estado |

Segundo o Ibope, 42% dos brasileiros têm aerofobia e esse medo tem atraído pessoas para a clínica Medo de Avião , aberta pela psicóloga Elvira Gross em agosto de 2008 em São Paulo. Para superar esse medo, o tratamento da psicóloga inclui a programação neurolinguística e a psicoterapia.

Sessões em grupo de pessoas com o mesmo medo, relaxamento, conversa com piloto e até passeio na área de manutenção de aviões do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade, são atrativos da clínica, que tem ajudado na superação da fobia. O fim do tratamento é comemorado pelo grupo com uma viagem aérea. A psicóloga vai a tiracolo.

Especializada em comportamento cognitivo pelo Hospital das Clínicas e tratando fobias há dez anos, Elvira conta que já viu de tudo nesses meses: executivos que chegaram a pedir para sair da aeronave enquanto ela ainda taxiava até gente que desistiu de um intercâmbio na última hora. Das cerca de 50 pessoas que participaram dos grupos da clínica no último semestre, só uma não perdeu o medo. “Por muitos anos trabalhei com fobia de direção, mas muitos reclamavam do medo de avião. Como no Brasil não tínhamos quase nenhuma clínica especializada e pouca bibliografia, decidi me especializar.”

Dados estatísticos que comprovam a segurança do avião e o entendimento dos procedimentos de voo atrelados a técnicas de redução de ansiedade garantem a confiança dos pacientes. Estes foram alguns dos argumentos que levaram Elvira a batalhar a autorização com a empresa Gol e a Infraero para que os pacientes transitassem na área de manutenção do aeroporto e até conversassem com o piloto dentro de um avião parado.

A CURA

As linhas que trabalham a mudança comportamental, como a programação neurolinguística, são apontadas como caminhos para superar a aerofobia, de acordo com Renata Machado, professora de psicologia do desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Na prática, estes tratamentos reprogramam a atitude das pessoas em relação ao medo. “Temos medo do que não conhecemos. O ar não é nosso ambiente, nele ficamos sem controle, à mercê da sorte. E o avião continua sendo parte do nosso imaginário.”

O presidente da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística (SBPNL) , Gilberto Craidy Cury, já atendeu muitas pessoas com aerofobia. “A neurolinguística pode parecer mágica para os que perdem o medo, mas a razão é simples. Tudo o que o cérebro aprendeu, ele pode aprender de outra forma. O que ele pode construir também pode desmontar.”

Maria Rehder

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