BRASILIA ¿ O líder do PSDB na Câmara, o deputado José Aníbal (SP), aguarda o início da ordem do dia no plenário da Casa para protolocar um requerimento que pede à Casa Civil informações sobre os gastos da ministra-chefe, Dilma Rousseff, na viagem que fez ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao sertão nordestino para visitar obras de transposição do Rio São Francisco.

Repórteres que acompanharam a viagem da comitiva ao sertão nordestino relataram que foram consumidas bebidas alcóolicas e iguarias, o que  levou o deputado tucano a cobrar o detalhamento sobre os gastos durante a viagem e a confirmação se houve licitação nos serviços contratados, em especial os de cozinha. A Casa Civil tem o prazo constitucional de 30 dias para responder o requerimento.

O governo federal alega que a viagem de três dias aos Estados da Bahia, Pernambuco e Paraíba tinha como objetivo inspecionar as obras na região. Fiscalizamos obras, discutimos prazos, explica o líder do PMDB na Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), que participou da comitiva que acompanhou o presidente.

AE
Ciro e Dilma junto com Lula iniciam maratona de vistoria das obras do São Francisco
Ciro e Dilma junto com Lula iniciam maratona de vistoria das obras do São Francisco

Além dele, a comitiva contou com a presença do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), dos ministros da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, das Cidades, Márcio Fortes, das Comunicações, Franklin Martins, e do ex-ministro e também pré-candidato à presidência, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), entre outros.

No requerimento entregue à presidência da Câmara, o líder tucano alegou que durante a viagem houve uma série de comícios em palanques que podem caracterizar a antecipação da campanha eleitoral de 2010 e desvio de finalidade de viagem.

Tanto requinte não condiz com o ritmo lentíssimo das obras para a transposição da águas do rio São Francisco. Os dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) mostram que o governo Lula previu um total de R$ 1,163 bilhão para esta obra em 2009, mas até o momento só conseguiu aplicar pouco mais de R$ 51 milhões.  Esse desapreço gerencial revela que a festa do governo não tem correspondência na área do trabalho e, enfim, que tamanha festa não se justifica, disse Aníbal no requerimento.

O deputado Henrique Alves, um dos principais aliados do governo na Câmara, apontou uma justificativa para a movimentação da oposição. É natural e é direito da oposição criticar. Eles sofrem de uma crise existencial. Não sabem se ficam com Aécio [Neves, governador de Minas Gerais] ou com [José] Serra [governador de São Paulo], aponta.

Eles temem a visibilidade de Dilma. Nós subimos no palanque não fazer campanha, mas para falar de obras, que só presidente Lula teve coragem de executar, explica o peemedebista. 

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