PSDB treina militantes para ampliar vantagem de Serra em São Paulo

Em um pequeno auditório de São Miguel Paulista, na zona leste da cidade, cerca de 70 militantes e simpatizantes do PSDB receberem uma missão: ampliar a vantagem do pré-candidato tucano à presidência, José Serra, em São Paulo.

Nara Alves, iG São Paulo |

A tarefa foi dada pelo presidente estadual da legenda, o deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame, que iniciou ontem uma série de palestras na tentativa de neutralizar o bom desempenho petista principalmente no Nordeste e, de quebra, ajudar o pré-candidato do partido ao governo do Estado, Geraldo Alckmin, a vencer a disputa ainda no primeiro turno. O encontro em São Miguel Paulista, que durou mais de duas horas, chegou a provocar bocejos entre participantes e até mesmo oradores.

A série de encontros com a militância é a estratégia adotada pelo PSDB para melhorar a performance tucana nas urnas paulistas com relação à votação de 2006, quando o ex-governador Alckmin disputou a presidência com Lula. Naquele ano, Alckmin venceu em São Paulo com 3,9 milhões de votos de vantagem. Em todo Brasil, no entanto, o candidato do PSDB perdeu para o petista por 6,7 milhões de votos. Segundo Mendes Thame, este ano a legenda quer garantir a vitória em São Paulo com pelo menos 5 milhões de votos de vantagem sobre a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

A nossa missão é que o Serra tenha uma folga de 5 milhões de votos sobre a Dilma em São Paulo, diz Mendes Thame. O desafio, agora, será alcançar essa meta mesmo com os índices de aprovação do governo Serra sendo piores que os de Alckmin, que deixou o governo com 66% de aprovação, segundo o Datafolha. Já José Serra deixou a administração estadual com 55% de aprovação, segundo o mesmo instituto de pesquisa. A aposta é que, desta vez, o partido esteja mais unido em torno deste objetivo, pelo menos no Estado de São Paulo.

Agência Câmara

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Mendes Thame fala na Câmara dos Deputados, em Brasília / Arquivo

A caravana de treinamento da militância tucana pelo interior deve passar pelos municípios em que o PSDB teve seus piores desempenhos na última eleição presidencial. Em Hortolândia, na região de Campinas, por exemplo, Lula bateu Alckmin com quase 32 mil votos de diferença. Em Várzea Paulista, na região de Jundiaí, a vitória petista teve 14 mil votos a mais. Em municípios vizinhos onde havia um núcleo tucano, no entanto, Geraldo Alckmin conseguiu derrotar Lula com vantagens também significativas. Isso significa que nesta guerra não basta termos uma artilharia aérea (programas de televisão), é preciso ter cavalaria (militantes e simpatizantes), prega Mendes Thame.

Em referência à estratégia petista adotada em 2002, quando Lula venceu pela primeira vez a disputa presidencial enviando um documento batizado de Carta aos Brasileiros, em que dava garantias de continuidade das políticas econômica de FHC, Mendes Thame sustentou que o PSDB fará um trabalho de multiplicação de instrutores tucanos. Não vamos produzir cartas aos brasileiros, rasgando o que prega o partido, porque não somos camelôs de ilusões, afirmou o deputado ao pedir que cada militante disseminasse a mensagem tucana para amigos e familiares.

Cartilha tucana

Na plateia de São Miguel Paulista, líderes comunitários, religiosos e alguns moradores das favelas da região assistiram a uma aula de história tucana. Desde o significado da sigla (Partido da Social Democracia Brasileira) até dicas de como rebater críticas sobre privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, passando por ataques ao suposto despreparo de Dilma Rousseff para comandar o País.

A cartilha ensina, por exemplo, que a privatização da Vale do Rio Doce gerou empregos, aumentou a arrecadação e as exportações da empresa triplicaram. Compara a telefonia antes e depois, com imagens de fichas que eram utilizadas em telefones públicos e de um iPhone, da Apple, simbolizando o avanço tecnológico promovido pela privatização da telefonia no governo FHC. A apresentação prega aos militantes que as prioridades do governo são: ensino técnico, abertura de mercados, geração de empregos verdes, defesa da democracia, transparência e cultura da paz.

O documento faz, ainda, comparações entre as biografias de Serra e Dilma e aponta o envolvimento da candidata petista no movimento armado durante o regime militar. A apresentação mostra o currículo acadêmico dos dois candidatos e reforça o suposto despreparo de Dilma contra o extenso currículo acadêmico de Serra.

Ao final do encontro de ontem, participantes se serviram de bolachas e café. Alguns solicitaram uma cópia da apresentação em CD-Rom.

Lançado em novembro de 2009 pelo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, projeto intitulado Comunicar 45 foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco ligados ao partido. A palestra foi adaptada pelo Instituto Teotônio Vilela, órgão de formação política da legenda, à realidade da corrida eleitoral paulista.

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