PSDB recua de vaga extra na CPI e DEM fica fora da presidência

BRASÍLIA (Reuters) - O PSDB voltou atrás e desistiu de reclamar uma vaga adicional na CPI da Petrobras. Com isso, o líder da bancada, senador Arthur Virgílio (AM), quer evitar atrasos na instalação da comissão. E o Democratas não deve ocupar a presidência da CPI, como estava sendo articulado. Se eu recorrer, eu atraso a CPI, disse Virgílio a jornalistas.

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Parlamentares da base governista pretendiam, nos bastidores, utilizar a demanda dos tucanos como pretexto para retardar a indicação de integrantes da comissão, que tem prazo até esta terça-feira.

A oposição (PSDB e DEM) alega que tem direito a quatro dos onze postos da CPI e não a três, como sustenta a presidência do Senado. Para rever esta proporcionalidade, entraria com um recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A medida implicaria no aguardo do resultado, retardando a CPI.

A prática da Casa é fixar o número de vagas de acordo com o cenário atual de senadores, que dá maioria aos governistas, enquanto a oposição prega que as indicações respeitem o momento da diplomação dos parlamentares. Por trás da questão está a redução da base oposicionista, que perdeu senadores para outras legendas.

"A instalação da CPI deve ser na semana que vem", admitiu Virgílio, que pretende apresentar um projeto de resolução para que a composição das próximas CPIs respeite o resultado das urnas.

PRUDÊNCIA EM ALIADOS

Mesmo com o recuo do PSDB, partido que deu origem à CPI da Petrobras, os líderes governistas devem jogar com o tempo na indicação de seus integrantes.

O líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), declarou que vai aguardar, antes das indicações, o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Brasília para uma conversa.

Lula, que foi a Salvador para reunião com o presidente venezuelano Hugo Chávez, passou a interferir pessoalmente nas negociações da CPI.

Na segunda-feira, o presidente reuniu-se com o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), com o objetivo de aplacar disputas com o PT. Lula determinou ainda aos aliados que o comando da CPI, representado pela presidência e a relatoria, precisa ficar com os governistas. O governo alega que a investigação da CPI pode interferir na imagem da Petrobras, principal empresa do país.

O recado surtiu efeito. Líder do DEM, o senador Agripino Maia (RN), admitiu nesta tarde que não haverá acordo com aliados para que a oposição assuma a presidência da CPI, como vinha sendo articulado. O senador Antonio Carlos Magalhães Junior (DEM-BA) ocuparia o posto.

"(Ele) suspendeu o entendimento que estava sinalizado", disse Agripino referindo-se a Renan Calheiros, com quem se reuniu pouco antes.

Ainda segundo Agripino, das três vagas correspondentes à oposição, o DEM deverá ficar com apenas uma.

"Essa não é uma questão substantiva nas nossas relações", explicou, referindo-se ao PSDB.

Renan Calheiros deu a entender que faz as indicações do PMDB ainda nesta terça. "Ninguém vai assumir a responsabilidade pelo atraso da CPI", afirmou.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que indicará os nomes da CPI na quarta-feira, caso os partidos optem pelo adiamento. Sarney tem prazo de três dias para as nomeações.

(Reportagem de Natuza Nery e Fernando Exman; Edição de Carmen Munari)

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