O PSDB no Senado decidiu reagir a eventuais manobras da base governista para desqualificar ou impedir que a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu apresente amanhã, na Comissão de Infra-Estrutura, argumentos e provas de suas acusações sobre a influência da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas negociações da venda da Varig. O partido promete rebater os movimentos dos parlamentares aliados do governo.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que as denúncias feitas até agora pela ex-diretora da Anac são "altamente comprometedoras e mostram que a Casa Civil interferiu no processo de venda da Varig, vendida meses depois por um valor treze vezes maior". Segundo ele, a oposição considera suspeita a participação nas negociações do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fotografado no Palácio do Planalto com participantes das negociações.

"Não vamos deixar que montem um teatro na Comissão sem o exame prévio dos fatos", prometeu Guerra. Ele disse que a base do governo poderá repetir amanhã manobras usadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cartões Corporativos, como a de desqualificar o acusador, dizer que "o governo não tem nada com isso" e ainda tentar vincular o denunciante ao PSDB. "Só falta encontrar um novo Zezinho", ironizou, referindo-se a José Aparecido Nunes, ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil e usado, na sua opinião, como bode expiatório no caso do suposto dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

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