PSDB pedirá reunião com governistas para resolver impasse na CPI da Petrobras

BRASÍLIA - A bancada do PSDB no Senado deve pedir, nesta terça-feira, uma reunião formal com os líderes da base aliada ao governo para formalizar as exigências dos governistas para a instalação da CPI da Petrobras.

Carol Pires, repórter em Brasília |

Por duas vezes os senadores da base faltaram à reunião marcada para dar início às investigações contra a estatal. Ainda não há acordo entre os partidos aliados sobre quais os senadores indicados para a relatoria e a presidência da comissão, cargos estratégicos nas investigações.

Porém, a base aliada tem apresentado como justificativa para o adiamento o fato de o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), ter sido indicado para a relatoria da CPI das ONGs, outra investigação incômoda para o governo petista.

Virgílio assumiu a função após o antigo relator, Inácio Arruda (PCdoB-CE), ter renunciado à vaga para assumir o cargo de titular na CPI da Petrobras. O regimento interno do Senado proíbe que um senador participe de duas CPIs simultaneamente.

Na semana passada, o presidente da CPI das Ongs, Heráclito Fortes (DEM-PI), se negou a devolver a vaga de relator para a base aliada. Cabe ao presidente da comissão a indicação do líder. Ao longo da semana, entretanto, senadores do PSDB e do DEM, partidos de oposição, tentaram convencer Virgílio a desistir da função para que a CPI da Petrobras não seja mais adiada.

O assunto foi discutido durante um almoço o gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) nesta terça-feira, mas os tucanos saíram do encontro sem anunciar uma posição clara. Eles querem ter certeza das intenções dos governistas para acabar com as manobras que têm atrasado a CPI da Petrobras.

Não vou adiantar nada, mas nós queremos a CPI. Não tem essa de que nós desistimos. Vamos pedir uma conversa, perguntar o que eles querem para instalar imediatamente, no máximo amanhã, garantiu Arthur Virgílio.

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período

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