PSDB invade Mesa Diretora do Senado para tentar criar CPI da Petrobras

BRASÍLIA - Após a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), segunda vice-presidente do Senado, encerrar a sessão desta quinta-feira, os senadores do PSDB, que faziam uma vigília para que o requerimento de criação da CPI da Petrobras fosse lido, tomaram os assentos da Mesa Diretora da Casa. A intenção era manter aberta a sessão e aguardar a chegada do primeiro vice-presidente, Marconi Perillo (PSDB-GO), que poderia criar a CPI.

Severino Motta, repórter em Brasília |

O movimento foi capitaneado pelo líder tucano Arthur Virgílio (AM). Ele disse que estava inscrito, como líder, para falar na tribuna e que, portanto, Serys não poderia encerrar a sessão. Junto de Tasso Jereissati (PSDB-PB), que gritava isso é uma palhaçada e de Sérgio Guerra (PSDB-PE), Virgílio subiu à Mesa Diretora, sentou-se na cadeira do presidente e concedeu a palavra a Tasso. A sessão está reaberta. O senhor tem a palavra. Vamos continuar com a sessão, ninguém aqui vai dar golpe, disse.

Nisso uma discussão foi iniciada entre ele e Serys. Ela, baseada num documento da secretária da Mesa, Cláudia Lyra, dizia que não haviam inscritos, por isso encerrou a sessão. Virgílio retrucou dizendo ser um absurdo, e pediu a cabeça de Cláudia. Não vou deixar [o presidente José] Sarney em paz até ele demitir essa viúva do [ex-diretor-geral] Agaciel [Maia].

Após trocas de acusações com o PT, foi a vez dos tucanos irem para cima do DEM. Antes de Serys estar presidindo a sessão, quem o fazia era o primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI). Ele, lembrando que uma decisão tomada na manhã desta quinta-feira pelo colégio de líderes acertou que a CPI não seria instalada, se recusou a atender os pedidos do PSDB.

Não posso ler o requerimento pois existiu uma decisão do colégio de líderes. Por isso tentei prorrogar a sessão para que desse tempo do Marconi chegar, disse.

Em meio ao bate-boca, foi Heráclito quem mandou que a direção da Casa cortasse o microfone dos tucanos que haviam tomado a Mesa Diretora. O fato causou mais revolta nos aliados. Não entendo o que aconteceu com o DEM, preciso de tempo para digerir, lamentou Virgílio.

Visivelmente irritado, Virgílio, durante a vigília do PSDB, já havia dito não concordar com a decisão do colégio de líderes. Eu não participei da reunião, não participei porque estava de saco cheio, disse. Mas, mesmo se tivesse participado, poderia mudar de opinião, temos o direito de ter a CPI lida, o que aconteceu hoje foi um estupro ao direito.

Com a sessão encerrada, tucanos ainda ameaçaram através de manobras regimentais. Uma das possibilidades é tentar abrir uma sessão nesta sexta-feira para que o presidente leia o requerimento e crie a CPI.

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