PSDB e PSOL recorrem para manter ações contra Sarney

BRASÍLIA (Reuters) - O PSDB e o PSOL recorreram nesta segunda-feira ao Conselho de Ética do Senado para tentar reverter o arquivamento de denúncias contra o presidente da instituição, José Sarney (PMDB-AP). Três denúncias se referem a ações apresentadas pelo líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), e uma pelo PSOL.

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As ações foram arquivadas pelo presidente do Conselho, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), na última quarta-feira.

Na sexta, o senador engavetou outras sete denúncias. Todas acusam Sarney de falta de decoro parlamentar e podem levar à cassação de seu mandato.

Os recursos serão votados pelo plenário do Conselho e, se a maioria optar pelo desarquivamento, o processo será aberto. É grande a dificuldade para alterar a decisão de Duque, uma vez que, dos 15 integrantes do órgão, dez são da base aliada. O Conselho tem ainda o corregedor do Senado como membro fixo.

"Tem que prevalecer a sobriedade. Tem que fazer um Conselho de Ética que não seja de aritmética mas de ética", disse a jornalistas o presidente do PSDB nacional, Sérgio Guerra (PE).

O PT, que já se manifestou pelo afastamento temporário de Sarney, deve ser o fiel da balança na apreciação do recurso.

Fonte do partido diz que os três integrantes da legenda que fazem parte do órgão estão dispostos a apoiar recursos com boa fundamentação jurídica. Se optar pela investigação, o partido vai de encontro ao sentimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, zeloso em manter a aliança com Sarney.

A legenda estaria mais inclinada a votar favoravelmente à denúncia em que há gravações de que Sarney estaria envolvido no emprego de um namorado da sua neta no Senado.

O PSDB alega no recurso que neste início da fase processual não é necessária coleta de provas para a abertura dos processos. Para descartar as denúncias, Paulo Duque argumentou que elas se baseiam apenas em recortes de jornais.

Esta segunda-feira foi o último dia para os recursos dos arquivamentos de quarta-feira.

As denúncias feitas por Virgílio se referem a acusações de privilégio de Sarney ao neto, ao suposto desvio de recursos da Fundação José Sarney e responsabilidade do presidente do Senado sobre esta fundação. No caso do PSOL, a ação acusa Sarney de vínculo com a prática dos atos secretos, medidas administrativas não publicadas.

DENÚNCIA CONTRA GUERRA

Sérgio Guerra respondeu nesta segunda-feira a uma denúncia de que sua filha teria viajado a Nova York com despesas pagas pelo Senado em 2007.

De acordo com o senador, ela foi acompanhá-lo a uma consulta médica com autorização da direção do Senado. Segundo ele, havia uma suspeita de que ele teria um tumor no intestino e, depois de consultas no Brasil, recebeu a recomendação de ouvir um especialista norte-americano. No retorno, passou por uma cirurgia e retirou parte do intestino.

"Nunca fui informado ou questionado sobre isso. Agora, estranhamente, esse caso aparece, considero extremamente estranho o aparecimento disso", disse Guerra, que evitou vincular os aliados de Sarney ao surgimento da denúncia.

Ele disse ainda que, se for necessário, fará o reembolso das despesas ao Senado.

(Reportagem de Fernando Exman)

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